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Add Fuell, Momento Zen em modo caos

A arte de Add Fuel reúne em si mesma uma dua­li­dade ine­rente e genuína. Nas ruas, em gale­rias ou em ilus­tra­ções, não há espaço proi­bido para esta cri­a­ti­vi­dade. De Cascais para o mundo, Diogo Machado mostra-​​se com uma ener­gia única e uma deter­mi­na­ção irre­vo­gá­vel, indis­pen­sá­veis a quem quer ter nome no pano­rama inter­na­ci­o­nal de inter­ven­ção de arte urbana.

Há um porquê para o nome “Add Fuel”?

Sim claro, pode-​​se dizer que “Add Fuel” é o que resta de “Add Fuel to the Fire”. Quando come­cei a tra­ba­lhar e a inves­tir mais no meu tra­ba­lho de dese­nho, por volta de 2006, senti que pre­ci­sava de ter algo que fosse mais fácil de iden­ti­fi­car no mer­cado inter­na­ci­o­nal do que Diogo Machado, (isto por­que, curi­o­sa­mente, quando come­cei a ter pedi­dos para tra­ba­lhos comis­sa­ri­a­dos era tudo fora de Portugal). Sempre achei inte­res­sante a expres­são “add fuel to the fire”, que a meu ver, na sua base é pegar em algo e torná-​​lo dife­rente, adi­ci­o­nando algo num sen­tido de trans­for­ma­ção. É o que sem­pre quis e ten­tei trans­mi­tir com o tra­ba­lho. O meu dese­nho é sem­pre algo que é e que não é, que existe e não existe num uni­verso pró­prio, onde tento sem­pre tra­zer algo de novo ao que já está pre­sente. O “Add Fuel”, ou seja o “enco­lher” do nome surge há cerca de dois anos, basi­ca­mente depois de me ter far­tado de andar a cor­ri­gir cada vez que escre­viam “add fuel to fire” ou “add­fu­el­tothe­fire” ou “add fuel fire”… Nem sei, foram tan­tas as vari­a­ções que apa­nhei! Mas acima de tudo por uma ques­tão prá­tica, Add Fuel é mais curto, mais fácil de memo­ri­zar e de dizer.

Antes do sten­cil e do azu­lejo exis­tia somente a ilus­tra­ção. O que resta do artista dessa época?

Está cá e está aqui! A ilus­tra­ção é algo sem­pre pre­sente e que eu não quero (e não posso) dei­xar de fazer. O meu uni­verso do dese­nho é a base de todo o meu tra­ba­lho, e sem dese­nho e ilus­tra­ção não pode­ria exis­tir a rein­ter­pre­ta­ção do azu­lejo e o sten­cil. Por isso, não quero nem posso dei­xar de fazer ilus­tra­ção por­que sinto que iria per­der o con­tacto com as raí­zes do meu tra­ba­lho. No entanto, hoje em dia o meu tra­ba­lho de cerâ­mica e de mura­lismo têm vindo a ganhar uma pro­por­ção bas­tante inte­res­sante, os pro­jec­tos de ilus­tra­ção que aceito aca­bam por ser ape­nas os que me dão mais gosto e gozo de fazer.

Crês que esse per­curso se rela­ci­ona com uma neces­si­dade de trans­mi­tir uma men­sa­gem mais forte e a um maior número de pessoas?

Penso que isso aca­bou por acon­te­cer sim, mas não foi essa a minha inten­ção de todo. Desde ado­les­cente que tenho um gosto por arte e sem­pre tive isso como um fac­tor de influên­cia na minha vida. Embora não seja com­ple­ta­mente rela­ci­o­nado, tirei licen­ci­a­tura em Design Gráfico e, como já disse, sem­pre dese­nhei. O salto do dese­nho e ilus­tra­ção para o mura­lismo foi algo que senti que tinha que fazer. Hoje em dia a street art é muito falado e está “na moda”, mas para mim a uti­li­za­ção do sten­cil e o facto de o apli­car em mural vem devido ao ter come­çado a tra­ba­lhar em cerâ­mica e na rein­ter­pre­ta­ção e cri­a­ção de padrões em azu­le­jos. Depois de ter os azu­le­jos fina­li­za­dos, para mim o que fez sen­tido foi devolvê-​​los à rua, colo­car peque­nas peças meio per­di­das em can­tos de edi­fí­cios. Depois, quando sur­gi­ram opor­tu­ni­da­des de o fazer em pare­des com­ple­tas, a minha solu­ção foi o sten­cil, que tenho vindo a explo­rar desde então e cada vez mais gosto deste cami­nho. Onde este cami­nho me vai levar? Não sei, tal­vez jun­tar sten­cil com pin­tar a spray à mão livre? Talvez.

De longe segues o tra­di­ci­o­nal, mas de perto explo­des num uni­verso extra­or­di­ná­rio que importa o ima­gi­ná­rio da BD, dos vide­o­jo­gos. Esta dua­li­dade surge por mero acaso ou tu sabias desde o iní­cio que esta seria a ima­gem de marca Add Fuel?

Acho a desig­na­ção de ima­gem de marca é um pouco forte! Sim, tenho muita influên­cia de banda dese­nhada, vide­o­jo­gos, sci-​​fi, ter­ror e uni­ver­sos fan­tás­ti­cos. São influên­cias, são esté­ti­cas que me agra­dam e quando dese­nho, tento não pen­sar dema­si­ado, uma coisa meio tipo “momento zen em modo caos” e o que acaba por sair são as 1001 coi­sas estra­nhas que tenho na minha cabeça. Acho que se pode inter­pre­tar quase como um exor­cismo sim­pá­tico. O facto de apli­car todo este uni­verso de uma forma que trans­pa­rece para o tra­di­ci­o­nal foi algo que acon­te­ceu, gos­tei do resul­tado e senti uma neces­si­dade de o explorar.

Como des­cre­ve­rias o Planet Fire em três palavras?

Não con­sigo! Nem acho que estas são as cer­tas, mas são as cer­tas neste momento: caos, ordem, movimento.

Qual foi até agora o local onde mais gos­taste de inter­vir e porquê?

Cada local é sem­pre espe­cial à sua maneira e não con­sigo mesmo esco­lher um. Cada pin­tura é única e cada uma delas traz expe­ri­ên­cias e inte­rac­ções novas, posso enu­me­rar algu­mas e o que ficou de bom para mim. Recentemente estive na Tunísia e foi espec­ta­cu­lar. Pelas pes­soas, pela vila e pela inte­rac­ção com os outros artis­tas. Quando estive em Coimbra ado­rei a liga­ção que con­se­gui fazer entre a pin­tura e o local, e tam­bém pela força da men­sa­gem. Em Paris foi espec­ta­cu­lar pelo pro­jecto em si, pelo facto de ter pas­sado uma semana com gran­des ami­gos a pin­tar e pelo ambi­ente que con­se­gui criar na minha divi­são. Em Lisboa, das duas vezes que pin­tei com o Eime, uma delas pelo resul­tado final que trouxe um feed­back fan­tás­tico (o mural MENTAL IDADE), e a outra mais recente pelo desa­fio de pin­tar um mural gigante. Há sem­pre algo de dife­rente, mas no final, todas as pin­tu­ras (ok, quase todas) são extre­ma­mente gratificantes.

E qual seria o local de sonho?

Para pin­tar e para via­jar, Nova Iorque. Ainda não acon­te­ceu, (nem a via­gem nem a pin­tura) mas sei que vai acontecer.

O mural que par­ti­ci­paste alu­sivo aos 40 anos do 25 de Abril na Av. Berna foi van­da­li­zado dias depois de ter sido fina­li­zado. O que sente um artista numa situ­a­ção deste tipo?

Sentes que aba­naste alguma coisa, sen­tes que o que fizeste não pas­sou ao lado. Não é grave nem pre­o­cu­pante. Um mural na rua, depois de ter­mi­nado pode durar uma hora como pode durar dez anos até que alguém faça algo por cima… Mas neste caso foi muito espe­cí­fico, o mural tem uma temá­tica forte para nós, como Portugueses, e as opi­niões podem dividir-​​se. No entanto, gra­ças ao esforço e rápida acção da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e da Under Dogs, foi feita uma rápida recu­pe­ra­ção do mural, que, na minha opi­nião é a melhor maneira de lidar com este tipo de van­da­lismo. Vandalizam, restaura-​​se logo, no dia seguinte pas­sam por lá para ver a sua “obra” e, de repente, é como se nem tives­sem feito nada.

Em Djerbahood, pelo teu tra­ba­lho foste con­vi­dado para um casa­mento. Como se recebe um con­vite destes?

Sim é ver­dade. Esta foi das expe­ri­ên­cias mais recom­pen­sa­do­ras de todas.

A segunda pin­tura que fiz na Tunísia, em Erriadh, para o pro­jecto Djerbahood, foi na casa de uma famí­lia local da vila. Criei uma espé­cie de layer no inte­rior da parede ori­gi­nal da casa, com um padrão Tunisino que rede­se­nhei. Acontece que os casa­men­tos são fei­tos em casa e, para tal, as famí­lias fazem obras e reno­vam as casas para o grande evento. Durante os dois dias que estive a pin­tar, com a ajuda da Lara Seixo Rodrigues (da Mistaker Maker), todas as pes­soas foram super sim­pá­ti­cas e aten­ci­o­sas e, ape­sar da bar­reira lin­guís­tica, foi fan­tás­tico aperceber-​​me que esta­vam mesmo a gos­tar da pin­tura. Quando ter­mi­ná­mos, convidaram-​​me a mim e à Lara para o casa­mento. Senti que foi uma maneira linda de nos agra­de­ce­rem pela pin­tura (que eu fiz com o maior gosto e cari­nho, diga­mos ao estilo de prenda de casa­mento!), mas infe­liz­mente a data era depois do nosso voo de regresso a Portugal. São expe­ri­ên­cias e sen­ti­men­tos que ficam. É lindo.

Além de par­ti­ci­pa­res em fes­ti­vais e expo­res em gale­rias, tam­bém ven­des online algum do teu tra­ba­lho. O que te levou a tomar tal decisão?

O facto de ter uma parte do meu site dedi­cada à venda online vem antes de ter tido a opor­tu­ni­dade de tra­ba­lhar e ter o meu tra­ba­lho exposto em gale­rias. Inicialmente, foi uma maneira de poder dis­po­ni­bi­li­zar direc­ta­mente algu­mas telas e dese­nhos a quem gos­tasse do meu tra­ba­lho e, acima de tudo, de o dar a conhe­cer. De momento a parte de venda online no meu site fun­ci­ona mais para exclu­si­vos, ou seja, peças que eu faço espe­cí­fi­cas para lá, que não estão dis­po­ní­veis em mais lado nenhum. De momento, está focado em edi­ções de cerâ­mica e prints.

Há algum artista em espe­cial que admi­ras ou com o qual gos­ta­rias de trabalhar?

Sempre fui fã do tra­ba­lho do Jim Phillips. Penso que é o único artista que posso indi­vi­du­a­li­zar, mas é claro, tenho mui­tos outros artis­tas como refe­rên­cia. Nem faria sen­tido tra­ba­lhar nal­guma coisa em con­junto, até por­que esta­mos a falar de uma lenda viva que criou ima­gens icó­ni­cas para o uni­verso do skate, surf e rock durante cerca de três déca­das. O seu tra­ba­lho em par­ti­cu­lar da década de 80 e até mea­dos dos anos 90 foi (e con­ti­nua a ser) uma das minhas gran­des fon­tes de ins­pi­ra­ção. Slimy mons­ters e cavei­ras, con­tem comigo!

E numa hipo­té­tica luta entre o sten­cil e o azu­lejo, quem ganharia?

Essa luta tem que ser mesmo hipo­té­tica! No meu caso um não vive sem o outro. Como disse numa outra res­posta, o tra­ba­lho do sten­cil vem do tra­ba­lho que desen­volvo em cerâ­mica. O sten­cil é uma téc­nica para poder apli­car uma “ilu­são” de cerâ­mica em grande for­mato. São duas par­tes de um (grande) todo.

Nos pró­xi­mos meses onde pode­mos ver algu­mas das novas inter­ven­ções do Add Fuel?

De momento estou com algo a acon­te­cer em Outubro na Covilhã, algo em Lisboa para o final de Setembro e com mais três locais que ainda não estão fecha­dos tam­bém para breve e… Não posso des­ven­dar muito mais!

Festival Wool

O que é um dia nor­mal para o Add Fuel?

Não há dias nor­mais para mim, há vários tipos de dias e ainda bem. Tanto passo dias intei­ros a dese­nhar, como em frente ao com­pu­ta­dor a tra­ba­lhar em ilus­tra­ções ou sten­cils, ou padrões. Por vezes passo dias segui­dos no estú­dio de volta de azu­le­jos e a pin­tar, como passo uma semana ou duas fora de volta de um mural. E isto é algo que me agrada, não ter rotina e poder gerir o meu tempo.

Uma coisa é certa e é algo que fui apren­dendo com o facto de tra­ba­lhar a gerir o meu tempo há alguns anos, tem que se gerir bem para dar para tudo. “Work, work, work” é mesmo muito impor­tante, mas sem­pre com tempo para famí­lia e amigos.

Texto de Mariana Viseu

Projecto na Tunísia

Ritmos africanos no MUSICBOX

O pro­jecto inter­na­ci­o­nal Satta, mais do que pro­mo­ver fes­tas e even­tos, aposta na pro­cura, selec­ção e divul­ga­ção da 1.ª arte. Estabelecida no Chile e na Argentina, em Junho deste ano, as raí­zes atra­ves­sa­ram o Atlântico e radicaram-​​se tam­bém no nosso país. A edi­ção por­tu­guesa da Satta TV já conta com mais de 30 actu­a­ções e uma base de dados online com cen­te­nas de per­fis de novos e con­san­gra­dos DJs e pro­du­to­res made in Portugal.

Depois da pri­meira festa no pas­sado mês de Novembro, nesta quinta-​​feira, 11 de Dezembro, a Satta volta ao MUSICBOX Lisboa com o DJ e pro­du­tor Clap! Clap! Este mes­tre da con­tem­po­ri­za­ção de rit­mos, vocais e outros ele­men­tos afri­ca­nos, depois de ter actu­ado em Londres, Paris, Colónia e outras cida­des euro­peias, vem apre­sen­tar o seu pri­meiro álbum “Tayi Bebba” lan­çado este ano onde se inte­gra, “Viarejo”, faixa sele­ci­o­nada para inte­grar a rádio de qual­quer carro rou­bado no GTA V.

Texto de Marcelo Lisboa

A sátira de John Holcroft

Ler nas entre­li­nhas nem sem­pre é fácil. Mas estas ilus­tra­ções de John Holcroft não dei­xam mar­gem para gran­des dúvi­das. Os temas são vari­a­dos, atu­ais e oportunos. 

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Mac DeMarco atua hoje no aniversário do Musicbox

Desta é que nin­guém estava à espera. O Musicbox faz anos, mas nós tam­bém temos direito a prenda: Mac DeMarco.

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O impecável homem das cavernas

Ele não é um nean­der­tal, mas anda lá perto. Ra Paulette pas­sou os últi­mos dez anos da sua vida fechado numa caverna, na com­pa­nhia de uma pica­reta, de um car­ri­nho de mão e… do seu cão. 

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