Author Archives: Francisco

Quando a pintura se assemelha à fotografia

Foi inau­gu­rada, em Toronto, no pas­sado dia 20 de novem­bro, a pri­meira expo­si­ção a solo de Jen Mann. “Q&A” é o título da nova série de tra­ba­lhos da artista cana­di­ana. Trata-​​se de uma cole­ção de metá­fo­ras visu­ais que explo­ram a iden­ti­dade, a exis­tên­cia, os rela­ci­o­na­men­tos, a vida e a morte. 

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Pôr o pincel na Frida

Quando se fala em Frida Kahlo, auto­ma­ti­ca­mente pen­sa­mos em pen­te­a­dos esqui­si­tos, ade­re­ços espam­pa­nan­tes e — como não pode­ria dei­xar de ser — em sobran­ce­lhas sia­me­sas e buço des­cui­dado. Claro que Frida Kahlo é, na ver­dade, muito mais do que esse pre­con­ceito simplista. 

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Banks, Oh My Goddess!

Seguramente Goddess, da can­tora cali­for­ni­ana Banks, é um dos álbuns mais aguar­da­dos deste ano. Sobretudo após a expo­si­ção mediá­tica pro­por­ci­o­nada pelo extra­or­di­ná­rio EP London do ano pas­sado, mas tam­bém pelos sin­gles que ante­ce­de­ram a edi­ção deste álbum de estreia.

Criando a ponte com a edi­ção de sin­gles ante­ri­o­res, a inclu­são no ali­nha­mento do álbum dos temas “Waiting game”, “Change” e “This Is What It Feels Like” cimen­tam o fio con­du­tor do disco, cons­truindo um sólido e coeso disco de estreia. E a par­ti­ci­pa­ção dos cola­bo­ra­do­res que mais têm con­tri­buído para os novos ter­ri­tó­rios da R’N’B, como Jamie Woon, Lil Silva, Sohn e Orlando Higginbottom (Totally Enormous Extinct Dinosaurs), tor­nam este disco uma preciosidade.

A voz de Banks é o ponto de par­tida para todas as can­ções, bem como a inti­mi­dade cri­ada pela sua expo­si­ção emo­ci­o­nal. Quer atra­vés das letras, quer atra­vés da atmos­fera musi­cal, cria-​​se uma pro­xi­mi­dade com a can­tora, que não deixa o ouvinte indiferente.

Constata-​​se inclu­si­va­mente que essa inti­mi­dade não é uma mera ilu­são, quando se per­cebe que Banks, na sua página de Facebook, enco­raja os fãs a tele­fo­na­rem para um número pri­vado, para fala­rem com ela.

A inti­mi­dade revela-​​se sobre­tudo no dis­curso das letras, como se a can­tora usasse o ouvinte como o seu inter­lo­cu­tor, trazendo-​​o para a can­ção. O tema “Someone New” retrata pre­ci­sa­mente este sen­ti­mento. Sustentado na voz e na viola, exem­pli­fica cla­ra­mente este poder do dis­curso que é impri­mido nas letras, expondo os sen­ti­men­tos mais ínti­mos, aque­les que só se têm numa con­versa dolo­rosa, quando uma pes­soa se expõe integralmente.

Se reves­tir­mos essa inti­mi­dade com a den­si­dade do tema de aber­tura “Alibi”, e até mesmo com o tema que se lhe segue no ali­nha­mento, e que dá o nome ao álbum, des­co­bri­mos can­ções que, desde logo, nos agar­ram pela sua força. É aqui, desde logo, visí­vel a afi­ni­dade com ter­ri­tó­rios comuns aos The Weeknd, por exemplo.

Encontrar o tema pro­du­zido por Sohn, “Waiting Game”, no ali­nha­mento revela tratar-​​se de uma peça fun­da­men­tal no ambi­ente de todo o disco. Não só por­que lhe dá o mote, como tam­bém por­que cria os laços que deter­mi­nam a uni­dade e coe­rên­cia do disco. A voz, o piano e os sam­ples pode­ro­sos criam a atmos­fera mís­tica pre­sente na mai­o­ria dos temas de Goddess.

As já refe­ri­das cola­bo­ra­ções e refe­rên­cias musi­cais da can­tora estão de tal forma bem orques­tra­das, que chega a ser ine­bri­ante ouvir temas como “Brain”, “Drowning” e “Stick”, em que a fami­li­a­ri­dade com que se apre­sen­tam, aumenta ainda mais o sen­ti­mento de inti­mi­dade. Chega a ser assus­ta­dor pers­pe­ti­var que a liga­ção da can­tora com os ouvin­tes possa des­per­tar sen­ti­men­tos tão inten­sos e acolhedores.

Embora haja evi­dên­cias de que Banks é nota­vel­mente influ­en­ci­ada por Lauryn Hill e Fiona Apple, não deixa de se veri­fi­car uma pro­xi­mi­dade com Lana Del Rey, sobre­tudo em “You Should Know Where I’m Coming”, pro­va­vel­mente pela sua pro­du­ção estar a cargo de Justin Parker, que já cola­bo­rou com Lana Del Rey.

As fron­tei­ras musi­cais de Banks estendem-​​se. Se “This Is What It Feels Like,” pode­ria ser incluída num plano entre os Purity Ring, com a sua electro-​​pop des­cons­truída e ambi­en­tes espar­ti­lha­dos de space-R&B cri­a­dos por Timbaland, já o tema “Change” pode­ria estar bem mais pró­ximo de uns The XX ou dos London Grammar.

Beggin for Thread” e “Fuck Em Only We Know” são pro­va­vel­mente os momen­tos mais leves e lumi­no­sos do disco, onde o ambi­ente é mais des­con­traído, como se fos­sem dois momen­tos para reto­mar o fôlego, neces­sá­rio para o resto do disco.

As bati­das ini­ci­ais de “Warm Water” ditam a apro­xi­ma­ção do final do disco. “Under the Table” põe o ponto final. Terminando assim Goddess da melhor forma, com dois temas pro­du­zi­dos por Orlando Higginbottom.

A com­bi­na­ção explo­siva, mas inti­mista, pro­por­ci­o­nada sobre­tudo por ele­men­tos indie pop e electro-R&B, faz deste álbum uma das mais pre­ci­o­sas edi­ções deste ano, sobre­tudo na cate­go­ria de álbuns de estreia. Banks prova que as aten­ções des­per­ta­das com London foram mere­ci­das e que o seu pri­meiro disco de longa dura­ção merece des­ta­que e aten­ção. Mas, merece sobre­tudo que as pala­vras de amor, e todas as outras cheias de incer­te­zas, sejam devol­vi­das à can­tora com o peito aberto, num ato de pai­xão e rendição.

 

 Texto de Carlos Alberto Oliveira (punch​.pt)

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