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Ode ao viajante moderno : COS X Mr Porter

A COS criou uma cole­ção cáp­sula para a pla­ta­forma de ven­das online Mr Porter, a pen­sar no via­jante moderno. Em entre­vista à PARQ, Martin Andersson, res­pon­sá­vel pela equipa de design da COS, refere que, é antes de tudo, uma cole­ção que segue o prin­cí­pio da intem­po­ra­li­dade  defen­dido pela COS, mas que sofreu ajus­tes para que pudesse res­pon­der melhor a ques­tões da aco­mo­da­ção na baga­gem, assim como à ver­sa­ti­li­dade das fun­ções pelas quais cada peça terá que res­pon­der face a vários even­tos que ocor­rem em via­gem. A cole­ção estará a venda em exclu­sivo  na loja online da MrPorter e da COS a par­tir de 7 de Maio.

Porquê uma cole­ção cáp­sula COS para Mr Porter?

Porque par­ti­lha­mos valo­res de marca simi­la­res, sen­ti­mos que Mr Porter é pio­neira na sua área de espe­ci­a­li­za­ção, por­tanto, quando che­gou a pro­posta de uma poten­cial cola­bo­ra­ção, ficá­mos de ime­di­ato aber­tos à ideia e pron­tos para ini­ciar conversações.

 

Porquê uma cola­bo­ra­ção com uma pla­ta­forma online?

Antes de mais, é um par­ceiro com o qual nos sen­ti­mos ali­nha­dos e com quem par­ti­lha­mos o mesmo ethos. O que apre­ci­a­mos na Mr Porter é a capa­ci­dade de ofe­re­cer um guarda-​​roupa mas­cu­lino con­tem­po­râ­neo e ao mesmo tempo intem­po­ral, qua­li­da­des que impri­mi­mos igual­mente no nosso design. Mr Porter deu-​​nos a opor­tu­ni­dade de che­gar a um con­su­mi­dor glo­bal, permite-​​nos estar em luga­res onde não temos lojas.

A cole­ção intitula-​​se The Modern Traveller. A que tipo de homem se dirigem?

Quando está­va­mos a dese­nhar esta cole­ção, a equipa que­ria rein­ven­tar algu­mas peças intem­po­rais para o via­jante moderno. Concentrámo-​​nos na filo­so­fia do nosso design e fize­mos alguns acer­tos sub­tis em ter­mos de corte e deta­lhes fun­ci­o­nais, a pen­sar num cole­ção diri­gida ao con­su­mi­dor de Mr Porter.

 

O que é que esta colec­ção traz de dife­rente para os fãs da COS?

Quando come­ça­mos a tra­ba­lhar para uma esta­ção, come­ça­mos por olhar para os temas glo­bais da cole­ção que podem sur­gir na sequên­cia das via­gens que faze­mos ou das visi­tas a expo­si­ções que nos levam a uma pes­quisa con­tí­nua no uni­verso de arte e de design à pro­cura de ins­pi­ra­ção. Quando temos defi­nida a nossa ins­pi­ra­ção, orga­ni­za­mos essa maté­ria em ter­mos das ten­dên­cias e come­ça­mos a defi­nir o design de cada peça, o que inclui teci­dos, cores e cor­tes. Para a cole­ção de Mr Porter, está­va­mos ins­pi­ra­dos pela ideia do via­jante con­tem­po­râ­neo e que­ría­mos criar uma cole­ção que rein­ter­pre­tasse uma fun­ção para todas as oca­siões. Por exem­plo, uma cole­ção em que um fato tanto pode ser­vir para uma reu­nião de negó­cios em Nova Iorque, como para a inau­gu­ra­ção de expo­si­ção à noite e o casaco pode acom­pa­nhar umas ber­mu­das num almoço infor­mal de fim de semana.

Então como defi­ni­ria esta coleção?

É uma cole­ção desen­vol­vida para um homem moderno que viaja tanto por ques­tões de negó­cios, como de lazer. A cole­ção é cons­ti­tuída por 23 peças essen­ci­ais e dese­nhada a pen­sar na sua fun­ci­o­na­li­dade e versatilidade

 

Há alguma peça em par­ti­cu­lar que seja favo­rita e em que situ­a­ção se ima­gina a usá-​​la?

Nós fize­mos uma estam­pa­gem juve­nil que resurge em várias peças desta cole­ção cáp­sula. A minha peça favo­rita é uma camisa de manga curta com essa estam­pa­gem em tons cor de vinho. É feita de um algo­dão muito leve, fácil de dobrar, e pode ser usado tanto de dia como de noite.

Esta foi a vossa pri­meira cola­bo­ra­ção? Tem outras em mente?

Foi a pri­meira com uma pla­ta­foma de comér­cio online, mas é muito fre­quente desen­vol­ver­mos cola­bo­ra­ções com artis­tas e desig­ners. Ainda recen­te­mente desen­vol­ve­mos uma cola­bo­ra­ção com a Smarkitecture durante o Salone del Mobile em Milão.

 

 

Sneak Peek : uma loja de sneakers e sapatos no segmento de luxo

Sneak Peek

 

Eduarda Jotta, como mui­tas mulhe­res, tem uma grande pai­xão por sapa­tos e quando pen­sou que estava na hora de lan­çar um negó­cio pró­prio, per­ce­beu que o melhor seria dedicar-​​se à cri­a­ção de uma esco­lha diri­gida a um público sele­ci­o­nado. Encontrou um espaço que foi pri­mo­ro­sa­mente deco­rado e trouxe para o Chiado mar­cas femi­ni­nas e mas­cu­li­nas que não se encon­tra­vam no mer­cado naci­o­nal, mas que são gran­des refe­rên­cias no mer­cado pre­mium. Nesta loja, pode­mos encon­trar sne­a­kers da Gienchi que se tor­na­ram popu­la­res pelo reves­ti­mento de tachas e que são uma pre­sença nas melho­res lojas do mundo. Já não tão pop, a Last Conspirancy ofe­rece um sapato pro­du­zido à mão, mas que tem por detrás um estú­dio de design dina­marquês que asse­gura ino­va­ção, em ter­mos da apli­ca­ção, e tra­ta­mento de mate­ri­ais sem­pre den­tro de um uni­verso arte­sa­nal con­tem­po­râ­neo. De des­ta­car ainda Free Lance e Jean-​​Baptiste Rauterau, mar­cas de luxo que tanto pro­du­zem o sti­letto chic, como con­for­tá­veis der­bies de cores flu­o­res­cen­tes, essen­ci­ais para uma ima­gem cool. Este é o pri­meiro  grande passo, a que a Sneak Peek vai jun­tar, de futuro, outras mar­cas e linhas de aces­só­rios . FVF


Rua Ivens , 8 Chiado, Lisboa

 

Amazónia em Turim

Turim conta com um dos edi­fí­cios mais emble­má­ti­cos da nova arqui­tec­tura que defende uma maior liga­ção entre o espaço natu­ral e o urbano. Edificado em 2012, o que pas­sou a ser conhe­cido por 25 Verde é um pro­jecto do arqui­tecto Luciano Pia que com­bina vigas de aço com gran­des árvo­res que nos fazem sen­tir perante um jar­dim ver­ti­cal. A fachada dos cinco pisos é domi­nada pelo reen­tran­cia de ter­ra­ços e de gran­des con­ten­to­res de terra onde bro­tam vários tipos de ele­men­tos natu­rais que dão grande orga­ni­ci­dade ao edi­fí­cio den­tro da tra­di­ção de um Gaudi.

As árvo­res tem um papael fun­da­men­tal neste pro­jecto. São 150 e ser­vem de cor­tina natu­ral garan­tindo fres­cura durante o Verão e entrada de maior lumi­no­si­dade durante o inverno quando ficam des­pi­das de folhas. Ou seja, a arqui­tec­tura, recebe os bene­fí­cios  de um mundo natu­ral, propondo-​​o como  um novo para­digma do luxo, dada a escas­ses desse bem no uni­verso de um homem  emi­nen­te­mente urbano.

D’Angelo : O messias negro voltou!

Foram pre­ci­sos 14 anos para D’Angelo encon­trar um suces­sor para Voodoo, mas a espera valeu a pena. A ideia de sal­va­ção – ou pelo menos de reden­ção – foi sem­pre recor­rente na música negra: Sam Cooke a can­tar que acre­di­tava na che­gada da mudança, Isaac Hayes a ves­tir a pele de um Moisés negro capaz de guiar o seu povo atra­vés das águas aber­tas de uma soci­e­dade revolta ou Kanye West a ven­der pen­den­tes com a cara de Jesus e a bap­ti­zar o seu álbum com o neo­lo­gismo Yeezus.

O impulso é sem­pre o mesmo. Em cada momento, há músi­cos negros que acre­di­tam que a res­posta pode estar nas can­ções. Ou na forma como sol­tam um deter­mi­nado lamento, mesmo em can­ções dis­far­ça­das de sim­ples dor de corno. Que D’Angelo esco­lha para título do disco que lhe inter­rompe o silên­cio de quase década e meia diz menos do que sente quando se olha de manhã ao espe­lho do que o que cer­ta­mente sente quando olha à noite as notí­cias na tele­vi­são. Messias negros, garante ele, são todos os afro-​​americanos à luz de even­tos como Ferguson. E compreende-​​se assim de onde vem o doce caos em que Black Messiah parece estar mer­gu­lhado, como se os den­sos arran­jos, o grão ana­ló­gico, e a mis­tura pro­cu­ras­sem tra­du­zir o tumulto da soci­e­dade ame­ri­cana contemporânea.

D’Angelo pare­cia ser uma daque­las tra­gé­dias a que a música nos habi­tuou: ao bri­lhan­tismo abso­luto de Voodoo sucedeu-​​se pri­meiro silên­cio, depois incer­teza, e sinais que apa­re­ciam apon­tar para um des­fe­cho dra­má­tico – um aci­dente apa­ra­toso em 2005, pri­são em 2010, fotos que evi­den­ci­a­vam um certo declí­nio físico, prin­ci­pal­mente tendo em conta que este era o mesmo homem que tinha feito o icó­nico vídeo de “Untitled (How Does It Feel)”. Os pou­cos con­cer­tos que D’Angelo foi assi­nando, não che­ga­vam para des­fa­zer o nó na gar­ganta colec­tiva: o recurso abun­dante a ver­sões pare­cia evi­den­ciar o esgo­ta­mento cri­a­tivo do homem que de um só golpe rein­ven­tou a soul em 2000. Mas a vida – mesmo a mais aci­den­tada – tem sem­pre uma maneira de nos sur­pre­en­der e antes que 2014 sol­tasse o seu último sus­piro, D’Angelo, sem que nada o fizesse pre­ver, sol­tou o seu Black Messiah sobre o mundo.

É um disco extra­or­di­ná­rio de um can­tor e autor extra­or­di­ná­rio. Como Marvin Gaye, D’Angelo junta carne e espí­rito na mesma can­ção, por vezes até no mesmo sus­piro. Como Prince, con­se­gue que os seus fal­se­tos soem demo­nía­cos e ange­li­cais. Como Sly Stone, cruza géne­ros para se encon­trar a si mesmo. Mas as refe­ren­cias não belis­cam nem um milí­me­tro do seu pró­prio génio. Com músi­cos de excep­ção como James Gadson, Questlove ou Pino Palladino, com uma pro­du­ção de luxo, com arran­jos que nunca sacri­fi­cam um grão de cri­a­ti­vi­dade à dita­dura imposta pela nor­ma­li­za­ção das play­lists, D’Angelo asse­gura o pre­sente e reclama o futuro. E toma o mundo de assalto com novos con­cer­tos em que surge em plena forma vocal e cri­a­tiva. O mes­sias negro vol­tou, de facto. Bem vindo seja.

 

Texto de Rui Miguel Abreu

 

Valverde Hotel

Um pequeno grande hotel, era assim que podía­mos resu­mir na essên­cia o Valverde em plena ave­nida da Liberdade. Nem pre­cisa de se pôr de bicos de pés para que as suas cinco estre­las bri­lhem. O edi­fí­cio foi total­mente reno­vado e tra­tado ao deta­lhe a come­çar pela deco­ra­ção e as como­di­da­des ofe­re­ci­das aos cli­en­tes para pro­por­ci­o­nar uma expe­ri­ên­cia única, que almeja o con­forto do lar. Com 25 quar­tos com dife­ren­tes for­ma­tos, a todos coube uma deco­ra­ção única, cons­ti­tuída por peças raras, com­pos­tas por mobi­liá­rio vin­tage res­tau­rado, obras de arte e alguns ele­men­tos de design con­tem­po­râ­neo. No con­texto geral, os deco­ra­do­res João Pedro Vieira e Diogo Rosa Lã pro­cu­ra­ram tra­zer para o edi­fí­cio lis­bo­eta do sec XIX o gosto eclé­tica dos apar­ta­men­tos urba­nos (Town Houses) das eli­tes lon­dri­nas ou novo ior­qui­nas dos anos 20. Por isso o Hotel vive uma atmos­fera nos­tál­gica, exu­be­rante e requintada.

 

A sala de espera é sem dúvida a joia do hotel mas pre­sos aos deta­lhes, a míni sala de lei­tura com tela de pro­je­ção que desce quando se dá ini­cio a uma ses­são de cinema, seria então o bri­lhante. A riva­li­zar, só o pátio inte­rior, bas­tante desa­fo­gado, um oásis verde com pis­cina, a escas­sos metros do bulí­cio da grande Avenida. Sem dúvida um pequeno segredo a des­co­brir e a guar­dar para quem pro­cu­rar um refú­gio, ou então, uma reu­nião des­con­traída . O ser­viço de bar e de res­tau­ra­ção estão ao lado e por agora ofe­re­cem um menú de 35 euros para almoço e jan­tar que incluí uma entrada , prato prin­ci­pal e sobre­mesa. A cozi­nha, a cargo da Chef Carla Sousa, é por­tu­guesa, logi­ca­mente quando se fala numa aposta hote­leira na qualidade.

 

FVF

 

Valverde Hotel

Avenida da Liberdade, 164, Lisboa

Tel. + 351 210 940 300

www​.val​ver​deho​tel​.com