Author Archives: Francisco

Amazónia em Turim

Turim conta com um dos edi­fí­cios mais emble­má­ti­cos da nova arqui­tec­tura que defende uma maior liga­ção entre o espaço natu­ral e o urbano. Edificado em 2012, o que pas­sou a ser conhe­cido por 25 Verde é um pro­jecto do arqui­tecto Luciano Pia que com­bina vigas de aço com gran­des árvo­res que nos fazem sen­tir perante um jar­dim ver­ti­cal. A fachada dos cinco pisos é domi­nada pelo reen­tran­cia de ter­ra­ços e de gran­des con­ten­to­res de terra onde bro­tam vários tipos de ele­men­tos natu­rais que dão grande orga­ni­ci­dade ao edi­fí­cio den­tro da tra­di­ção de um Gaudi.

As árvo­res tem um papael fun­da­men­tal neste pro­jecto. São 150 e ser­vem de cor­tina natu­ral garan­tindo fres­cura durante o Verão e entrada de maior lumi­no­si­dade durante o inverno quando ficam des­pi­das de folhas. Ou seja, a arqui­tec­tura, recebe os bene­fí­cios  de um mundo natu­ral, propondo-​​o como  um novo para­digma do luxo, dada a escas­ses desse bem no uni­verso de um homem  emi­nen­te­mente urbano.

D’Angelo : O messias negro voltou!

Foram pre­ci­sos 14 anos para D’Angelo encon­trar um suces­sor para Voodoo, mas a espera valeu a pena. A ideia de sal­va­ção – ou pelo menos de reden­ção – foi sem­pre recor­rente na música negra: Sam Cooke a can­tar que acre­di­tava na che­gada da mudança, Isaac Hayes a ves­tir a pele de um Moisés negro capaz de guiar o seu povo atra­vés das águas aber­tas de uma soci­e­dade revolta ou Kanye West a ven­der pen­den­tes com a cara de Jesus e a bap­ti­zar o seu álbum com o neo­lo­gismo Yeezus.

O impulso é sem­pre o mesmo. Em cada momento, há músi­cos negros que acre­di­tam que a res­posta pode estar nas can­ções. Ou na forma como sol­tam um deter­mi­nado lamento, mesmo em can­ções dis­far­ça­das de sim­ples dor de corno. Que D’Angelo esco­lha para título do disco que lhe inter­rompe o silên­cio de quase década e meia diz menos do que sente quando se olha de manhã ao espe­lho do que o que cer­ta­mente sente quando olha à noite as notí­cias na tele­vi­são. Messias negros, garante ele, são todos os afro-​​americanos à luz de even­tos como Ferguson. E compreende-​​se assim de onde vem o doce caos em que Black Messiah parece estar mer­gu­lhado, como se os den­sos arran­jos, o grão ana­ló­gico, e a mis­tura pro­cu­ras­sem tra­du­zir o tumulto da soci­e­dade ame­ri­cana contemporânea.

D’Angelo pare­cia ser uma daque­las tra­gé­dias a que a música nos habi­tuou: ao bri­lhan­tismo abso­luto de Voodoo sucedeu-​​se pri­meiro silên­cio, depois incer­teza, e sinais que apa­re­ciam apon­tar para um des­fe­cho dra­má­tico – um aci­dente apa­ra­toso em 2005, pri­são em 2010, fotos que evi­den­ci­a­vam um certo declí­nio físico, prin­ci­pal­mente tendo em conta que este era o mesmo homem que tinha feito o icó­nico vídeo de “Untitled (How Does It Feel)”. Os pou­cos con­cer­tos que D’Angelo foi assi­nando, não che­ga­vam para des­fa­zer o nó na gar­ganta colec­tiva: o recurso abun­dante a ver­sões pare­cia evi­den­ciar o esgo­ta­mento cri­a­tivo do homem que de um só golpe rein­ven­tou a soul em 2000. Mas a vida – mesmo a mais aci­den­tada – tem sem­pre uma maneira de nos sur­pre­en­der e antes que 2014 sol­tasse o seu último sus­piro, D’Angelo, sem que nada o fizesse pre­ver, sol­tou o seu Black Messiah sobre o mundo.

É um disco extra­or­di­ná­rio de um can­tor e autor extra­or­di­ná­rio. Como Marvin Gaye, D’Angelo junta carne e espí­rito na mesma can­ção, por vezes até no mesmo sus­piro. Como Prince, con­se­gue que os seus fal­se­tos soem demo­nía­cos e ange­li­cais. Como Sly Stone, cruza géne­ros para se encon­trar a si mesmo. Mas as refe­ren­cias não belis­cam nem um milí­me­tro do seu pró­prio génio. Com músi­cos de excep­ção como James Gadson, Questlove ou Pino Palladino, com uma pro­du­ção de luxo, com arran­jos que nunca sacri­fi­cam um grão de cri­a­ti­vi­dade à dita­dura imposta pela nor­ma­li­za­ção das play­lists, D’Angelo asse­gura o pre­sente e reclama o futuro. E toma o mundo de assalto com novos con­cer­tos em que surge em plena forma vocal e cri­a­tiva. O mes­sias negro vol­tou, de facto. Bem vindo seja.

 

Texto de Rui Miguel Abreu

 

Valverde Hotel

Um pequeno grande hotel, era assim que podía­mos resu­mir na essên­cia o Valverde em plena ave­nida da Liberdade. Nem pre­cisa de se pôr de bicos de pés para que as suas cinco estre­las bri­lhem. O edi­fí­cio foi total­mente reno­vado e tra­tado ao deta­lhe a come­çar pela deco­ra­ção e as como­di­da­des ofe­re­ci­das aos cli­en­tes para pro­por­ci­o­nar uma expe­ri­ên­cia única, que almeja o con­forto do lar. Com 25 quar­tos com dife­ren­tes for­ma­tos, a todos coube uma deco­ra­ção única, cons­ti­tuída por peças raras, com­pos­tas por mobi­liá­rio vin­tage res­tau­rado, obras de arte e alguns ele­men­tos de design con­tem­po­râ­neo. No con­texto geral, os deco­ra­do­res João Pedro Vieira e Diogo Rosa Lã pro­cu­ra­ram tra­zer para o edi­fí­cio lis­bo­eta do sec XIX o gosto eclé­tica dos apar­ta­men­tos urba­nos (Town Houses) das eli­tes lon­dri­nas ou novo ior­qui­nas dos anos 20. Por isso o Hotel vive uma atmos­fera nos­tál­gica, exu­be­rante e requintada.

 

A sala de espera é sem dúvida a joia do hotel mas pre­sos aos deta­lhes, a míni sala de lei­tura com tela de pro­je­ção que desce quando se dá ini­cio a uma ses­são de cinema, seria então o bri­lhante. A riva­li­zar, só o pátio inte­rior, bas­tante desa­fo­gado, um oásis verde com pis­cina, a escas­sos metros do bulí­cio da grande Avenida. Sem dúvida um pequeno segredo a des­co­brir e a guar­dar para quem pro­cu­rar um refú­gio, ou então, uma reu­nião des­con­traída . O ser­viço de bar e de res­tau­ra­ção estão ao lado e por agora ofe­re­cem um menú de 35 euros para almoço e jan­tar que incluí uma entrada , prato prin­ci­pal e sobre­mesa. A cozi­nha, a cargo da Chef Carla Sousa, é por­tu­guesa, logi­ca­mente quando se fala numa aposta hote­leira na qualidade.

 

FVF

 

Valverde Hotel

Avenida da Liberdade, 164, Lisboa

Tel. + 351 210 940 300

www​.val​ver​deho​tel​.com

Satta Project – satélite de música aterra no MUSICBOX

O Satta é um pro­jecto que tem como mis­são ofe­re­cer música de dança e elec­tró­nica a ouvi­dos exi­gen­tes e incon­for­ma­dos. Nascido em Santiago do Chile, depois de aco­lher os artis­tas a Oeste dos Andes, espa­lhou as raí­zes a Buenos Aires, atra­ves­sou tam­bém o Atlântico e che­gou a Lisboa. No seu site, pode­mos encon­trar sets de música moderna e das suas raí­zes esco­lhida a dedo por DJs das três cida­des onde o pro­jecto já está radicado.

Depois das fes­tas com Falty DL (Ninja Tune)  ou Clap! Clap! (Black Acre) , sexta-​​feira, 3 de Abril, o Satta volta ao MUSICBOX com uma selec­ção de pro­duto nacional:

Isac Ace – apre­sen­tará o seu live act com coor­de­na­das entre o hip hop e o modern funk. Para actuar con­sigo, con­vida um dos mem­bros dos Guilherme Guillaz.

Zacarocha tam­bém conhe­cido como OneMenWork, jovem pro­du­tor lis­bo­eta irá tam­bém apre­sen­tar o seu live act, desta vez a invo­car o sono­ri­da­des pró­xi­mas ao bass da cena británica.

Emylis cura­dor e pro­gra­ma­dor em Portugal da pla­ta­forma e dos even­tos do Satta Project, leva uma mala cheia de elec­tró­nica de varias geografías.

Mike Stellar , vete­rano da cena musi­cal e club­bing Lisboeta e um dos homens por trás da Red Bull Music Academy em Portugal, irá apre­sen­tar uma selec­ção com­posta pelo pasado, pre­sente e quase futuro da música de dança e electrónica.

Texto de Marcelo Lisboa

Portugal Fashion : Reflector 3º Dia

Num giná­sio no Porto, Luís Buchinho arran­cou quinta-​​feira, no segundo dia do Portugal Fashion, jor­nada que jun­tou as colec­ção de FW 2015 de Daniela Barros, Hugo Costa, João Melo Costa e Pedro Pedro, nomes que que­re­mos des­ta­car.

Com Portugal Fashion a come­mo­rar os 20 anos do evento,  coube ao cri­a­dor Luís Buchinho, pre­sente desde a pri­meira edi­ção em 1995, o des­file inau­gu­ral no Porto. Com 25 anos de car­reira o cri­a­dor apre­sen­tou uma colec­ção ins­pi­rada na ilus­tra­ção onde os ele­men­tos grá­fi­cos foram pre­pon­de­ran­tes É uma cole­ção onde as malhas tem uma pre­sença forte como acon­te­cia ini­ci­al­mente nos seus des­fi­les. Agora misturam-​​se, com vários mate­ri­ais, em coor­de­na­dos que vivem de dife­ren­tes volu­mes, tex­tu­ras e cores para enfa­ti­zar os jogos grá­fi­cos que se pre­ten­diam. Luís Buchinho esco­lheu apre­sen­tar a colec­ção num giná­sio por ter impri­mido um uni­verso des­por­tivo a esta colecção

Já no Palácio dos CTT – para onde segui­ria a ses­são de des­fi­les – Daniela Barros apre­sen­tou uma colec­ção base­ada no incons­ci­ente pro­pondo silhu­e­tas deses­tru­tu­ra­das e over­si­zed, optando pelos tons terra, o preto e o branco. Chamou à aten­ção pelos mate­rias usa­dos nome­a­da­mente, dife­ren­tes tipos de pele de peixe.

 

No segui­mento, Hugo Costa apre­sen­tou uma cole­ção ins­pi­rada na indu­men­tá­ria dos nóma­das tibe­ta­nos, povo que se viu for­çado a rein­ven­tar o uso do ves­tuá­rio fara fazer face ao clima domi­nante. É uma colec­ção essen­ci­al­mente mas­cu­lina base­ada no uni­verso do sportswear mas que se quer cada vez mais unissexo.

O dia ter­mi­nou com Pedro Pedro que trouxe uma cole­ção ins­pi­rada no Ballet, que com­ple­tou a que foi apre­sen­tada ModaLisboa. Ou seja, Uma cole­ção ins­pi­rada nas trans­pa­rên­cias e em mate­ri­ais leves que con­tras­tam com mate­ri­ais rígi­dos, e pesa­dos pon­tu­a­dos por for­mas anti-​​naturais que para o cri­a­dor são um reflexo da vida de uma bailarina.

No que se refere a pla­ta­forma Bloom, des­ti­nada aos jovens cri­a­do­res, Mafalda Fonseca, deu o pon­tapé de saída no Porto apre­sen­tando uma cole­ção cri­ada a pen­sar nos seus ami­gos que segundo a cri­a­dora estão muni­dos de muita tec­no­lo­gia mas são vazios. Ou seja, K – Keep Moving Boys” apa­rece nos seus tons mais tor­ra­dos para lan­çar muita ener­gia posi­tiva nos “rapazes”.

João Melo Costa, uma das gran­des espe­ran­ças do design naci­o­nal, tam­bém a des­fi­lar pelo Bloom, vol­tou a impres­si­o­nar pelo tra­ba­lho labo­ri­oso que implica a cons­tru­ção de qual­quer dos padrões que apre­senta na sua cole­ção. Essencialmente arte­sa­nal, o numero de horas empre­gue para com­ple­tar um coor­de­nado, remete-​​nos essen­ci­al­mente para o uni­verso da alta-​​costura. Sem essas pre­ten­sões, a cole­ção trouxe coor­de­na­dos, com estam­pa­dos, fitas, bri­lhan­tes e pelos a darem forma a ves­ti­dos e casacos