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Encontrado no báu: Brian Rennie

Numa época em que tradição não é suficiente para manter uma marca, Gant foi buscar Brian Rennie que dirigiu, durante 20 anos, as colecções da Escada. Na sua passagem por Lisboa, este criador explica que está na hora da Gant se assumir como uma empresa sueca na linha do grande design que se vive em Estocolmo. (Outubro de 2009)

Vinhas de uma empresa com um posicionamento diferente da Gant. Porque razão te escolheram?

Procuravam alguém com a experiência internacional que eu obtive no tempo em que trabalhei nas colecções da Escada, que tem um mercado representativo nos EUA. A intenção é levar a Gant um nível superior, desenvolvendo mais a linha de mulher, e ao mesmo tempo dar mais brilho à linha masculina. Antes de chegar, havia uma colecção de homem, mulher e criança com equipas e direcções diferenciadas. Hoje, o objectivo é dar uma visão única da moda, onde os temas e as tendências são explorados em comum.

A ideia é, então, renovar e dar uma orientação de moda à empresa?

Certo. Uma empresa, mesmo no pico do sucesso, se não se renova corre o risco de ter um público entediado. E é para renovar que um director criativo é necessário, para que se criem novas perspectivas que permitam estimular a imprensa e pôr o consumidor a olhar a marca de forma diferente. Há dois anos, eu não pensaria em usar Gant. Eu olhava mais para marcas como Dolce&Gabbana, Dsquared e McQueen e rejeitava Gant de uma forma snob. Não quero que as pessoas olhem para a Gant dessa forma e, por isso, hoje temos a “Gant Collection” que é uma linha mais de moda e mais luxuosa, com muitas coisas que eu próprio gostaria de usar.

Que gostas de fazer no teu dia-a dia?

Eu sempre gostei de trabalhar muito e ainda mais de me divertir. Era o que se pode chamar um verdadeiro party boy. Mas o ano em que fiquei a viver na Escócia, rodeado de ovelhas e vacas, fez-me apreciar muito mais a natureza e o tempo que passo com os meus 3 cães. Percebi que gosto muito de moda, mas que esse mundo não tem assim tanta importância. Sinto-me muito bem a trabalhar com a Gant porque temos um compromisso com o meio ambiente, algo que, actualmente, valorizo muito

E como tem sido a tua integração na Suécia, já que agora trabalhas em Estocolmo?

Não é fácil. É uma cidade fria e escura, com um Verão curto e luminoso que não me deixa adormecer. Os suecos são reservados, o que torna as ligações complicadas, ao ponto de sentir que estou a viver numa terra de ninguém. Mas depois de tantos anos em Munique, onde toda a gente, na rua e nos bares, me conhecia e me abordava abertamente, também é interessante ser agora anónimo.

Que pensas do facto da Gant começar a ser vista mais como uma empresa de design sueco, onde a área de moda não tem tanta tradição?

Como muitos, pensava que Gant era uma empresa americana. Foi, mas já não é. O facto de ser uma empresa de Estocolmo, uma cidade que é reconhecida pelo excelente design, só pode ser bom para a Gant. Olhem para Ikea, Filippa K, Acne, Lindberg. São empresas que devem o sucesso ao espírito nórdico e, por isso, penso que é importante divulgar que também somos uma empresa sueca e que somos mais europeus que americanos.

História da Gant

1914  Bernard Gant deixou a Ucrânia e emigra para EUA
1941 A família Gant começa a vender camisas para a Brooks Brothers, Manhattan Shirts e J. Press.
1949 A Gant lança as primeiras camisas com botões nos colarinhos

1967 O negócio familiar passou para diversas companhias americanas

1980 A empresa sueca Pyramid Sportswear obtém a licença de exploração para todo o mundo, excepto os EUA.

2007 Pyramid e as licenças americanas são adquiridas pelas Maus Frères S.A., uma das maiores empresas de retalho de origem suíça.

www.gant.com

por. Francisco Vaz Fernandes

Francisco Vaz Fernandes
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