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Behind the door: Beatrice, Pastelaria Praline

Conduzido pelo cheiro que invade a rua, o cliente facilmente se deixa seduzir pelas maravilhas do mundo da pastelaria, preparadas de forma tradicional pela francesa Béatrice. Situada na Rua do Poço dos Negros, Praline oferece-nos o melhor da doçaria francesa, um espaço que há muito conquistou o paladar dos portugueses.

1. Segundo a tradição popular portuguesa, “os olhos pedem mais do que a barriga aguenta”. A Béatrice concorda com a afirmação?  Penso que tal nem sempre é verdade, especialmente em termo de doçaria, dado que muitas pessoas têm receio de comer sobremesas, havendo por isso, uma primazia da qualidade ao invés da quantidade. Mas concordo com o facto de que, na maioria das vezes, os “olhos comem primeiro que a boca”.

 

2. O fascínio pela pastelaria foi uma influência que veio da sua família?Cresci a ver o meu pai trabalhar com produtos de qualidade, e esta tradição foi sendo transmitida. De facto, o meu pai transmitiu-me o orgulho pela nossa cultura gastronómica, muita rica na nossa região (Borgonha), tanto a nível de cozinha como a nível de vinhos. Se pensarmos um pouco sobre o assunto, vamos verificar que a sobremesa é o ponto final de uma boa refeição, a última impressão com que se fica ao sair da mesa, por isso mesmo, não nos devemos esquecer dela.

 

3. Depois de França, Inglaterra, Austrália e Brasil, decidiu vir para Lisboa. O que viu na cidade que a incentivou a abrir cá uma pastelaria?

A história e a cultura francesa e portuguesa sempre foram interligadas por isso achei natural abrir um espaço onde apresentasse a pastelaria francesa e, o que é facto, é que nunca pensei que poderia ser mal recebida pelos Lisboetas. Não quero mudar a pastelaria portuguesa, nem impor nada, quero antes apresentar e dar a conhecer a pastelaria do meu país. Cheguei em Lisboa por obrigação profissional e um pouco por acaso, mas rapidamente percebi que era o sítio onde queria ficar. Fiquei apaixonada pela cidade, a luz, os azulejos, a cultura, o povo… Já guardei as malas.

 4. Qual foi o segredo da Béatrice para que nos primeiros seis meses, o atelier se tivesse tornado num lugar de referência?

Apesar de já haver casas com os famosos “macarons”, fui a primeira a apresentar Paris-Brest, Saint-Honoré, Charlottes, Opéra entre outros, no mercado lisboeta, o que ajudou bastante em termos de divulgação. Mas penso que não existe um segredo. A produção é feita por mim, uma produção pequena, que varia consoante o dia, a época, frutos, estações. Faço-a com muito gosto, e penso que isso se sente no produto final. Procuro oferecer produtos tradicionais, pois penso que muitos chefes quiseram inventar e criar demais, perdendo um pouco a origem das coisas. Gosto de sabores verdadeiros, simples.

 5. Qual o bolo mais pedido? Qual o preferido da Béatrice?

Posso dizer que o mil-folhas é o mais solicitado. Não inventei nada, simplesmente faço o tradicional mil-folhas francês, com massa folhada de manteiga pura, e creme pasteleiro perfumado com baunilha de Tahiti. Sempre fresco, cremoso e crocante. Em termos de criação, o Amazonia é o mais procurado, uma versão diferente da floresta negra, com biscoito de chocolate, creme mousseline de pistácio combinado com frutos silvestres…ideal para um bolo de aniversário “diferente”. Quanto ao meu bolo preferido, não podia deixar de eleger o bolo que a minha mãe fazia para os meus anos quando era pequena: uma genoise (tipo pão-de-ló mais cozido) recheado com creme de limão e glacê com açúcar crocante.

 6. Se a pastelaria é um lugar de memórias, o que guarda a Praline da Béatrice?

Quem entra na pastelaria, leva consigo o cheiro. Sem dúvida que muitas das pessoas entram atrás do cheiro que sentem ao passar na rua, um cheiro de chocolate, de manteiga, de croissant quente a sair do forno e de bolos a arrefecer antes de serem servidos.

texto de Marta Ferreira

fotografia de Ricardo Teixeira

Francisco Vaz Fernandes
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