Aki Kaurismaki x Le Havre

Herdeiro da tra­di­ção huma­nista e cómica de Chaplin e Renoir, do bur­lesco de Tati e do rea­lismo poé­tico de Clair e Carné, Kaurismaki cons­trói um conto de fadas num bairro de pes­ca­do­res da cidade por­tuá­ria de Le Havre, na Normandia, popu­lado por pes­soas de hábi­tos e roti­nas atem­po­rais, que se movi­men­tam entre uma pada­ria, uma mer­ce­a­ria e um café.

Como pro­testo à velo­ci­dade da era digi­tal, filma cenas lon­gas e silen­ci­o­sas sobre cená­rios tea­trais, ilu­mi­na­dos arti­fi­ci­al­mente. A trama remete para Casablanca: o engra­xa­dor Marcel Marx vê-​​se na obri­ga­ção moral de aju­dar um refu­gi­ado afri­cano a che­gar a Londres. Para isso, conta com o apoio dos vizi­nhos e do sinis­tro ins­pe­tor Monet, e for­mam uma espé­cie de “nova inter­na­ci­o­nal pós-​​comunista”, cunhada pela cons­ci­ên­cia social, fra­ter­ni­dade e união. O happy end con­tra­ria os pres­sá­gios da mulher de Marx, que sofre de can­cro ter­mi­nal, e mos­tra que os mila­gres acon­te­cem, num mundo onde se expõe o verso da moeda. Com uma eco­no­mia téc­nica espan­tosa, reflete sobre a pro­ble­má­tica dos refu­gi­a­dos na Europa e sobre a “Europa sem fron­teira”. Texto de Inês Monteiro

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