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Behind the Door x Pedrita

Pedro Ferreira e Rita João são os responsáveis por Pedrita, o atelier de design de produto que começou por dar provas do seu trabalho na Fabrica, projecto patrocinado pela Benetton. É a partir do seu estúdio, em Benfica, que procuram projectar as suas ideias, mostrando o que de melhor se faz em Portugal. Um trabalho que não se pode deixar de conhecer.

1) Mónica Fuchshuber, ilustradora e designer, disse uma vez que “Para quem tem visão, DESIGN é solução”. Identificam-se com esta afirmação?

O design é uma disciplina muito abrangente, portanto para quem tem “visão” as ferramentas do design poderão ser muito úteis para se chegar a um certo objectivo. Esta é, de facto, uma questão que mostra bem a nossa perspectiva de design. O design é o ponto de convergência de um projecto onde o resultado final não tem necessariamente de se traduzir numa aparência espectacular. O mais relevante é todo o processo de desenvolvimento daquele objecto e, sendo assim, o resultado final pode até acabar por ser bastante discreto, o que não invalida que a componente por trás seja bastante forte.

2) Desde que se conheceram até terem decidido começar a trabalhar juntos tiveram de passar por várias fases. Como foi este caminho?

Conhecemo-nos na Faculdade de Arquitectura de Lisboa, no 1º ano do curso de Arquitectura do Design. Começámos a trabalhar juntos no final do 1º ano, sobretudo em trabalhos de grupo, mas entretanto surgiu a oportunidade de irmos para a “Fábrica”, onde estivemos os dois a trabalhar em simultâneo. Fomos team liders em alguns projectos-chave do departamento que coordenávamos, mas, a certa altura, verificámos que o que mais nos interessava era a parte de projectar, uma área que, contudo, tinha sido um pouco descurada devido a todo o trabalho que tínhamos à nossa responsabilidade. Foi por este motivo que, no início de 2005, regressámos à actividade do estúdio.

3) Sentem que o facto de serem jovens designers funciona, muitas vezes, como elemento contra ou a favor do vosso trabalho?

Hoje já não nos consideramos jovens designers, embora seja essa a noção que a maioria das pessoas tem sobre nós. Porém, se falarmos da altura em que começámos, podemos dizer que sim, que foi um pouco complicado, mas essa fase já passou.

4) Embora se tenham formado em design de produto, dizer que esta é a única área em que trabalham seria limitar-vos. O que podem dizer sobre isto?

Até há pouco tempo só desenvolvíamos a actividade de estúdio. Entretanto fomos convidados para fazer parte do corpo de docentes da ESAD. Embora também já tivéssemos aceite trabalhos de design gráfico e web design, essa não é uma área preferencial. Sendo assim, começámos a apostar na parte de produto e, ultimamente, na parte de ambientes, em exposições.

5) De futuro, que novidades vossas se podem esperar?

Dois dias depois de chegarmos do Brasil, soubemos que tínhamos ganho um concurso para Guimarães, capital europeia da cultura, um projecto que fizemos em parceria com o Ricardo Jacinto. No mês de Junho, as 5 propostas vencedoras deste concurso serão apresentadas, portanto, até lá, ainda temos algum trabalho para desenvolver.

Temos também em mãos o projecto que fomos apresentar ao Brasil, “A Gente Transforma”, de Marcelo Rosenbaum. Na Várzea Queimada, uma localidade longínqua onde trabalhámos com artesãos, numa equipa de cerca de 40 pessoas, desenvolvemos uma colecção de produtos em palha de carnaúba e borracha que vai ser apresentada no Salão de Moda de Milão.

6) Se o estúdio/atelier é um espaço de memórias, o que guarda o estúdio dos Pedrita?

Este foi um espaço onde arrumámos tudo o que tínhamos espalhado. É, digamos, um baú, onde temos todas as nossas coisas ordenadas.

Texto Marta Ferreira

Fotografia Ricardo Teixeira

Francisco Vaz Fernandes
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