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Behind the Door x Véronique Laranjo

 

Em 2010, Véronique Laranjo abria a sua loja de roupa feminina na Travessa do Carmo, em Lisboa. A Véronique, assim se chama a loja, é o projecto desta consultora de moda que tirou o Mestrado em Marketing de Moda, em Paris e conta já, no seu portefólio, com trabalhos para Prada ou Marc Jacobs. Na Véronique as marcas vão desde Paul&Joe sister, See by Chloe até Orla Kiely e ainda uma selecção de peças Vintage deluxe e bijutaria Corpus Christi, um espaço algo diferente, bem no centro de Lisboa.

1) Numa frase de Giorgio Armani, o estilista disse: “O objectivo que persigo é que as pessoas refinem o seu estilo através das minhas roupas sem se tornarem vítimas da moda.” Também partilha esta visão?

Sim, o meu objectivo é desafiar a mulher portuguesa. Infelizmente, acho que Portugal perdeu um pouco o gosto pelas peças bem-feitas. Esquece-se que há alfaiates muito bons, mas que estão a fechar as suas portas. A invasão dos mercados de massa também não ajudou, o look das pessoas globalizou-se, todos se vestem de igual e por vezes com peças mal acabadas, de pouca qualidade. Penso que é importante ter menos coisas mas que durem mais.

2) Como nasceu o seu gosto pela Moda?

A minha mãe era costureira, por isso desde pequena que estive em contacto com alguém que sabia fazer roupa e daí começou a nascer o gosto pela moda.

 

3) O que a faz não se limitar a seguir o que é ditado pelas revistas de Moda?

Não compro revistas de moda, sou um pouco contra o conhecido must have ou must buy. Esta não é, de facto, a minha visão da moda. Acho que a roupa tem de ser personalizada, que temos de ir contra a corrente das coisas que estão na moda. Devemos de nos vestir para nós próprios e não para os outros.

4) Em que é que a colaboração com casas como a Marc Jacobs ou a Prada contribui para a abertura da Véronique?

Comecei a ter o desejo de abrir a minha loja quando trabalhava em Londres. Foi lá que contactei pela primeira vez com marcas de luxo como Gucci ou Prada que até então não conhecia. O toque, a qualidade e a originalidade das peças agradaram-me bastante.

Aprendi muito na Prada, foi uma boa escola de luxo que me ensinou a olhar para os pormenores, os detalhes. É uma das minhas marcas preferidas. Na Marc Jacobs, trabalhei na secção dos acessórios, o que acabou por ser igualmente bom.

A verdade é que acabei por ficar com contactos de lá e por vezes consigo mesmo encontrar peças de alguns designers com preços muito mais acessíveis, e trago-as para Portugal.

5) Tendo a loja o nome da Véronique, considera que o espaço espelha a sua identidade?

Foi complicado decidir o nome da loja, mas, sendo minha, acho que tinha de transmitir a minha visão pessoal sobre a moda e, por isso, fazia todo o sentido ter o meu nome. Esta loja é a minha cara. Confesso que tenho um grande amor pela roupa, sobretudo por roupa de luxo, pela sua qualidade e design, e procuro partilhar este amor com as minhas clientes.

6) Porque decidiu ter expor nas paredes da sua loja o trabalho de artistas portugueses?

Desde que abri a loja que quis ter regularmente o trabalho de um artista local presente no espaço, até para ajudar os artistas que estão a iniciar as suas carreiras. O universo da minha casa também ele é assim com peças vintage misturadas com arte de amigos e acho que é bastante importante, pois a arte acaba por trazer alma ao espaço. O André Trindade tem muito talento e é por isso que os trabalhos dele estão actualmente na loja.

7) Se uma loja é um espaço de memórias, o que guarda a Véronique?

Já cá estou há quase um ano e meio, portanto esta loja guarda o prazer de encontrar pessoas, de as ver gostar do espaço e voltar. Esta é uma parte do meu trabalho que adoro. Para além da escolha da colecção, adoro criar um tipo de amizade com a minha cliente, ganhar confiança com ela ao ponto de ela vir até à Véronique e acabarmos a falar sobre o mais diverso tipo de coisas.

texto de Marta Ferreira

fotos de Ricardo Teixeira

 

Francisco Vaz Fernandes
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