Chromatics x kill for love

O quar­teto Chromatics de Portland, Oregon é um des­ses pro­je­tos real­mente pecu­li­a­res den­tro da cena inde­pen­dente norte-​​americana. Com mais de uma década a banda com­posta por Ruth Radelet, Adam Miller, Nat Walker e Johnny Jewel já pas­sou pelo regresso do Pós-​​Punk que tanto carac­te­ri­zou os pri­mei­ros anos do século XXI, brin­cou com o indie rock e hoje se apre­senta con­for­ta­vel­mente inse­rida den­tro das sua­ves ema­na­ções do synth­pop. Hoje che­gam ao quarto álbum esban­jando matu­ri­dade e um som que ganha ares de novi­dade nas mãos e nas vozes da banda.

 

Longe das pro­pos­tas do pano­rama ele­trô­nico da actu­a­li­dade este pro­jeto encon­tra nos rit­mos sua­ves e na ambi­en­ta­ção os ele­men­tos neces­sá­rios para o desen­vol­vi­mento das músi­ca­sou seja Kill for Love (2012, Italians Do It Better), é um álbum que mer­gu­lha num estado de melan­co­lia, mis­tu­rando letras exis­ten­ci­a­lis­tas, um pouco de amo­res que não deram certo, sexo e temá­ti­cas intei­ra­mente escul­pi­das por refe­rên­cias sorum­bá­ti­cas e amarguradas.

Se no ini­cio do extenso álbum de 17 fai­xas a banda parece que­res desen­vol­ver uma banda sonora fic­tí­cia (e alter­na­tiva) para a sobre­na­tu­ral série Twin Peaks, expondo refe­rên­cias cla­rís­si­mas ao tra­ba­lho do com­po­si­tor Angelo Badalamenti (res­pon­sá­vel pela banda sonora ori­gi­nal da série), à medida que o álbum cresce, o foco passa a ser outro. As com­po­si­ções antes volu­mo­sas e mar­ca­das pela vari­e­dade de ins­tru­men­tos vão aos pou­cos se esva­zi­ando, com o quar­teto a inspirar-​​se n outra banda sonora, a com­posta para o recente e elo­gi­ado Drive – para o qual con­tri­buí­ram lan­çando a doce e oiten­tista Tick of the Clock.

No con­junto Kill for Love é um álbum ameno e hip­nó­tico até os ins­tan­tes finais. Em tem­pos onde o que vale cada vez mais é a cons­tru­ção de regis­tos rápi­dos ou a cons­tante valo­ri­za­ção de sin­gles, o tom con­cep­tual apli­cado ao álbum acaba por trans­for­mar o quarto regis­tro do Chromatics em um pro­duto dis­tinto, uma obra que invade a mente do ouvinte a cada doce e sin­gela har­mo­nia ou mínimo beat pro­jec­tado pelos nos­tál­gi­cos sin­te­ti­za­do­res da banda. Recomendamos que ouçam e fechem  os olhos e deixem-​​se conduzir.

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