BRANCA é uma nova linha de produtos e acessórios para a casa do designer Marco Sousa Santos. À conversa com a PARQ, o designer português mostrou-nos o seu local de trabalho e falou-nos sobre o novo projecto, num espaço onde as ideias se transformam em realidade.
1) John Maeda, designer gráfico, disse que “O bom design reside de alguma maneira na capacidade de instigar um sentido de familiaridade instantânea. “Eu já vi isto antes”. Concorda com a afirmação?
Concordo com o facto de o “bom Design” residir na empatia, na reinvenção transitiva da memória e da história a partir do que ela tem de mais significativo.
O design é um processo de re-interpretação e alimenta-se sempre do passado para produzir o futuro, não com nostalgia mas com pertinência, não como ruptura mas como prolongamento.
2) Até que ponto os projectos do Marco reflectem a sua personalidade?
O percurso de um autor é uma mistura do que ele quer fazer e do que pode fazer. Eu sempre dei preferência ao que quis fazer e por isso muitas vezes ultrapassei os limites do que (aparentemente) podia fazer.
Isso reflecte naturalmente um pouco da minha personalidade, mas a verdade é que o meu percurso é muito diverso e não sei se através dos meus projectos as pessoas realmente percebem quem eu sou.
3) Que fonte de informação costuma consultar para ficar a par do que se anda a fazer ou mesmo para se inspirar?
É relativamente óbvio que a verdadeira inspiração não está nas revistas ou nos blogs.
O estar a par, depende mais da capacidade de interpretar o mundo e as pessoas nos seus quotidianos do que de ver as coisas que os outros designers andam a fazer.
Produzir novidade em design implica mais do que estar informado, uma curiosidade visceral pela cultura material e visual humana, independentemente do meio ou da sua origem. É por aí que eu me informo e me inspiro.
4) Branca-Lisboa é o seu projecto mais recente. Em que consiste?
Branca-Lisboa é uma editora de mobiliário contemporâneo que estou a desenvolver e lançar no mercado nacional e internacional.
Apesar de nascer como projecto experimental que apresentei na experimenta design de 2009 em que produzi 24 protótipos de cadeiras, acabou por se transformar numa colecção de produtos e é hoje uma marca de Design de concepção e produção nacional.
O pressuposto é simples; trabalhar em cooperação com uma Industria de mobiliário que sempre produziu a feitio (com muita qualidade) e que está neste momento mais madura para estas parcerias.
É um projecto ambicioso pois o momento é pouco propício, mas aproveitando uma lógica de produção digital e semi-artesanal, acredito que é possível fazer o que me dá prazer e construir uma marca cuja inspiração está por aqui, por Lisboa, por Portugal.
5) Se o atelier é um espaço de memórias, o que guarda o atelier do Marco?
O meu atelier é sempre uma confusão!
Texto. Marta Ferreira
Fotografia. Ricardo Teixeira




























