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Sigur Rós x Valtari

Com ape­nas 54 minu­tos este é o disco mais curto dos Sigur Ros, que aban­dona a parte vocal  para quase se tor­nar num longo ins­tru­men­tal sem gran­des nuan­ces e har­mo­nias magis­trais. Tudo é muito con­tido todos os ins­tru­men­tos par­ti­ci­pam um bloco único de som. Por tudo isso, Valtari tal­vez seja o mais intros­pec­tivo e o registo mais difí­cil rea­li­zado pelo grupo.

Se nos tra­ba­lhos ante­ri­o­res o grupo estava inte­res­sado na rea­li­za­ção de um som total­mente bucó­lico como se fosse uma banda sonora para um mundo élfico rode­ado por seres fan­tás­ti­cos, em Valtari o que pre­do­mina é um som aci­zen­tado, algo mais urbano. Mesmo a melan­co­lia, ele­mento que sem­pre esteve pre­sente nas can­ções da banda, apa­rece agora envolta de uma dose extra de amar­gura como se toda a espe­rança fosse o grande ausente das novas fai­xas da banda. O disco parece pro­cu­rar novos cami­nhos para a banda , como se o quar­teto tivesse resol­vido aban­do­nar as flo­res­tas ver­des que tan­tos anos ser­vi­ram de abrigo. Acompanhar ou não o grupo este novo tra­jecto é uma deci­são que cabe a cada um,  mas com toda a cer­teza nunca será decepcionante.

Francisco Vaz Fernandes
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