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Hot Clip

Exímios “fabricantes” de canções pop-eletrônicas,os Hot Clip, banda criada em Londres no começo dos anos 2000 consegue ir além dos limites que definem a actuação de boa parte dos artistas similares. Longe de “apenas fazer dançar”, os britânicos parecem ter encontrado algo mais, um tempero especial em cada um das suas criações

The Warning (2006), a melancolia dançante de Made In The Dark (2008) ou até o lado “religioso” de One Life Stand (2010), independente do caminho, ritmo, fórmula ou proposta, o Hot Chip parece capaz de agradar a todos. Há algo nas canções do Hot Chip, e independente do que seja é assertivo, hipnótico e encantador.

O coletivo inglês não é composto apenas por um ou dois brilhantes colaboradores. Todos os que integram a composição, produção e direção de qualquer disco lançado pelo grupo parecem contribuir de forma igualitária – manifestação que se amplia visivelmente nas apresentações ao vivo da banda. Da guitarra aos teclados, da bateria aos efeitos de percussão, cada membro participa e se reveza na condução dos instrumentos. Ate a parte vocal não é entregue integralmente a  Alexis Taylor

Sexto registro oficial do grupo traz mais uma surpreendente quantidade faixas memoráveis e prontas para se transformarem em poderosos hits. O novo álbum mantém no reduzido número de composições uma intensa proximidade entre as faixas, que usam do electropop como força para movimentar o trabalho e lentamente agregar toda uma nova carga de possibilidades, sons e influências.

In Our Heads talvez seja o trabalho que melhor supra a ausência do LCD Soundsystem no cenário recente, afinal, quem melhor para ocupar a lacuna deixada por James Murphy do que o quinteto inglês? Observado de forma atenta, o álbum não somente ocupa a posição abandonada pelo produtor, como parece se cercar por diversas referências lançadas por Murphy ao longo dos três registros montados por ele durante a rica década de atuação à frente do projeto nova-iorquino

Uma vez iniciado a audição do registro, interromper com o fluxo do álbum precocemente parece simplesmente um erro. In Our Heads conta com uma pegada rara, um disco consumido por reviravoltas instrumentais constantes, como se a cada nova canção a banda fosse mais uma vez capaz de prender o ouvinte, figura que dificilmente conseguirá passar o disco sem agitar as pernas, batucar em alguma superfície ou quem sabe ensaiar tímidos passos de dança. Mesmo que ainda pareça difícil encontrar um significado específico para gostarmos tanto do trabalho do Hot Chip, a resposta parece aos poucos tomar formas em nossa cabeça, como se a cada novo disco da banda entregasse mais uma colorida peça desse diversificado quebra-cabeça. Enquanto a imagem e a resposta não se completam em nossa mente nos cabe apenas dançar e a trilha sonora perfeita para isso a banda acaba de lançar.

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Francisco Vaz Fernandes
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