David Palma (entrevista)

Um jovem desig­ner de comu­ni­ca­ção do Algarve de 25 anos, farto do mesmo tipo de sapa­tos, resol­veu con­ce­ber novas pre­mis­sas para criar mode­los mais emo­ci­o­nan­tes e ape­te­cí­veis. Assim nas­ceu o pri­meiro modelo, que tendo a cola­bo­ra­ção de arte­são por­tu­guês funde o tra­di­ci­o­nal com uma tec­no­lo­gia lazer.

1– És de design de comu­ni­ca­ção. como sur­giu o teu inte­resse pelos sapatos?

Apesar de ser desig­ner de comu­ni­ca­ção sou apai­xo­nado pelas dife­ren­tes áreas do design espe­ci­al­mente design de cal­çado, sobre­tudo tenis isto por­que existe uma oferta muito maior em ter­mos de cor, ilus­tra­ção, for­ma­tos tex­tu­ras, do que em sapa­tos clás­si­cos e quando existe algo de dife­rente e com carac­ter espe­cial em cal­çado clás­sico os pre­ços são bas­tante elevados.

O ano pas­sado estive uma tem­po­rada em Buenos Aires onde vi muita oferta de cal­çado em pele, mas tudo o que encon­trava ape­sar dos mate­ri­ais e dos aca­ba­men­tos serem exce­len­tes, olhava para os sapa­tos e não tinham carác­ter, não tinham nada que diferencia-​​se eram mais uns sapa­tos. Um dia num mer­cado de rua passo por uma tenda em que esta­vam a ven­der sapa­tos tra­di­ci­o­nais e mesmo ao lado estava outra tenda em com teci­dos cheios de cores, padrões, entre outras coi­sas e naquele momento, o pro­jecto dos sapa­tos come­çou. a per­gunta surgiu-​​me — porquê que os sapa­tos clás­si­cos mas­cu­lino não pode ter cor ou ilus­tra­ções ou for­ma­tos dife­ren­tes ou.…? A par­tir daqui come­cei con­cep­tu­a­li­zar  este pro­jecto.
2 — Quando ini­ci­aste o pro­jecto tinhas algum ponto de par­tida e o res­tante veio por acrés­cimo depois de alguma pes­quisa ou pelo con­trá­rio já tinhas todos os ele­men­tos com que que­rias tra­ba­lhar a partida?

O ponto de par­tida nas­ceu da neces­si­dade que tinha de encon­trar sapa­tos clás­si­cos com que me iden­ti­fi­casse e fosse capaz de usar, tanto como um par de tenis. Óbvio que com o sur­gir da ideia muita pes­quisa está a ser feita, desde mar­cas de sapa­tos, esti­los, géne­ros, fabri­can­tes, teci­dos, mate­ri­ais aca­ba­men­tos. Talvez pela minha famí­lia ter uma empresa design e publi­ci­dade e ter­mos alguma maqui­na­ria como maqui­nas laser, influ­en­ciou o uso da pele gra­vada para este pri­meiro par de sapa­tos, ape­sar de no futuro não que­rer só usar a gra­va­ção laser mas tam­bém tes­tar outros acabamentos!

3– Como sur­giu essa rela­ção com o sapa­teiro Mário Grilo

Quando che­guei a Portugal a pri­meira coisa que fiz foi pro­cu­rar quem podia pro­du­zir somente um par de sapa­tos e tes­tar então a minha ideia, após alguma pes­quisa encon­trei o tra­ba­lho do Mário Grilo na inter­net e pareceu-​​me ser a pes­soa mais indi­cada para dar vida aos meus sapatos.

4 -  Até agora só pro­du­ziste um modelo. estás a pen­sar con­ti­nuar com o mesmo tipo de filo­so­fia e criar outros mode­los, ou sim­ples­mente esta ideia ter­mina aqui e está enqua­drada no teu pro­jecto de design de comunicação.

O pro­jecto agora é que real­mente começou.

5 — Tens alguma filo­so­fia ine­rente a este projecto?

O con­ceito ini­cial e como eu visu­a­li­zei no ini­cio pas­sava por não seguir ten­dên­cias nem criar um numero exacto de mode­los por esta­ção, mas sim de ir com o tempo cri­ando mode­los, sendo este por exem­plo o modelo nº1 o pró­ximo que fizesse seria o nº2 e por ai con­se­quen­te­mente, e daqui a dez anos se alguém dese­jasse ter o modelo numero poder ser pro­du­zido. Não pro­curo fazer pro­pri­a­mente sapa­tos de moda, mas sim sapa­tos com carác­ter, com voz pró­pria e intem­po­rais. Mas como referi isto foi como eu visu­a­li­zei o pro­jecto no ini­cio, não quer dizer que con­so­ante as opor­tu­ni­da­des e ofer­tas que pos­sam sur­gir o con­ceito ini­cial tam­bem não mude.

6 — Como tem sido a recep­ção do teu pri­meiro modelo??

Êxtase, emo­ção, orgu­lho são as melho­res pala­vras para des­cre­ver a recep­ção deste pro­jecto. Após ter colo­cado a pri­meira foto dos sapa­tos no face­book, tive deze­nas de pes­soas a feli­ci­tar, a per­gun­tar quando esta­vam a venda, onde, que cores havia, quem é tinha feito etc. Foi uma sen­sa­ção muito boa e tam­bém um exem­plo para mui­tos cole­gas meus, mos­trar que as nos­sas ideias e nos­sos sonhos são pos­sí­veis de ser rea­li­za­dos basta deter­mi­na­ção e acreditar.

 

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