João Figueirado representante da Carhartt em Portugal (entrevista)

No momento em que a Carhartt muda de loca­li­za­ção instalando-​​se na Baixa de Lisboa, entre­vis­ta­mos João Figueiredo repre­sen­tante da Carhartt em Portugal desde 1998, pouco anos depois da marca ter entrado em Portugal. Ou seja a his­tó­ria da Carhartt em Portugal  está inti­ma­mente ligado ao seu per­curso pro­fis­si­o­nal e por qui­se­mos saber a sua visão de todo o seu pro­cesso evolutivo.

Qual a razão de muda­rem de loca­li­za­ção. Alguma mudança estra­té­gica da marca?

A mudança acaba por ser uma mudança natu­ral. Quando em 2004 abri­mos a nossa pri­meira loja, no bairro alto, era pre­ci­sa­mente nesse posi­ci­o­na­mento que a marca que­ria estar. Ou seja, um nicho de mer­cado, num bairro com algum trendy, que era o caso do bairro alto, que agru­pava um con­junto de novas lojas como comer­cio mais ino­va­dor e por isso fomos para lá. A mudança em 2012 para a rua do Ouro, uma rua muito mais mais­trean, e um espaço à frente a H&M, resul­tam de uma evo­lu­ção natu­ral das pró­prias coi­sas e da marca. E Porquê? A pró­pria marca quer ir ao encon­tro de uma maior audi­ên­cia. A Carhartt é uma marca muito res­pei­tá­vel nas Europa, mas há um poten­cial muito maior de con­su­mi­do­res que ainda não reco­nhece o “C” logo da Carhartt. Estamos agora numa posi­ção que nos vai per­mi­tir che­gar a essa audi­ên­cia que a pró­pria marca procura.

Fala-​​se muito da neces­si­dade da reno­va­ção da Baixa, vcs acre­di­tam que isto possa acon­te­cer tirando daí os bene­fí­cios necessários?

Acreditamos que num futuro pró­ximo a Baixa se vai renovar-​​se em ter­mos de um comer­cio mais con­tem­po­râ­neo e o facto de nos vir­mos para cá e ser­mos pio­nei­ros, jun­ta­mente com a Merrell, penso que  isso. pode ser um indi­ca­tivo. Com toda a cer­teza outras mar­cas pode­rão juntar-​​se a esta zona  e este comer­cio mais con­tem­po­râ­neo vai poder con­vi­ver com esse comer­cio mais tra­di­ci­o­nal com mais de 40 anos.

A zona parece bas­tante ape­la­tiva, o que sem­pre ouvi dizer, é que  zona  era muito espe­cu­lada em ter­mos de pre­ços,  tor­nando impos­sí­vel comér­cios jovens

É ver­dade. Os cus­tos, não são bai­xos. No nosso caso penso que foi justo. Mas con­cordo que os pre­ços que se pedem na Baixa ainda não são atrac­ti­vos para algum que se queira aven­tu­rar numa loja independente.

Como vai ser a vossa loja?

É uma loja clás­sica con­tem­po­râ­nea. Clássica por­que a Carhartt é uma marca clás­sica ame­ri­cana, com his­tó­ria, cen­te­ná­ria. É dese­nhada na Europa pela Carhart WIP mas nunca fugindo ao fit , ao con­forto, a dura­bi­li­dade e a qua­li­dade que tor­na­ram a  Carhartt, uma refe­ren­cia nos USA. É uma loja dese­nhada por um ate­lier de Milão, pelo Sr  Andrea Caputo e é uma loja chean em que o pro­duto vai ter muito relevo. É um espaço leve, clás­sico con­tem­po­râ­neo que é o que a marca é hoje em dia.

Ela segue um padrão de outras lojas Carhartt europeias?

A loja segue o padrão das últi­mas lojas da Carhartt que se abri­ram na Europa e em Nova Iorque. Antes desta houve  Copenhagen Bilbao e a de Nova Iorque, todas elas  dese­nha­das pelo Andrea Caputo Studio. Contudo, não é um modelo uni­forme, a loja foi com­ple­ta­mente dese­nhada para Lisboa.

A Carhartt foi uma marca que esteve sem­pre ligada as áreas cri­a­ti­vas. Durante mui­tos anos tive­ram exce­len­tes ilus­tra­do­res a faze­rem a ima­gem das cam­pa­nhas publi­ci­tá­rias. Acolhiam regu­lar­mente expo­si­ções den­tro do vosso espaço. Esta é uma polí­tica que vão man­ter na nova loja?

Essa polí­tica ficou no Bairro Alto. Podemos apoiar pro­jec­tos fora da loja, mas não vamos ter expo­si­ções den­tro do novo espaço. A loja tem a fun­ção única de ven­der roupa de homem da Carhartt WIP.

Mas vão ter pos­te­ri­or­mente roupa de mulher?

Não. A aposta para Lisboa foi homem . A Carhartt WIP con­ti­nua a pro­du­zir homem e mulher e eu enquanto repre­sen­tante con­ti­nuo a ven­der mulher e homem para o reta­lho, mas a loja em Lisboa será exclu­si­va­mente para homem.

Há quan­tos anos repre­sen­tas a marca em Portugal?

Desde 1996. Comecei como ven­de­dor  da marca que estava entre­gue a um dis­tri­bui­dor no norte que se cha­mava Trabalho em Progresso. Era ini­ci­al­mente cli­ente deles e pas­sei para repre­sen­tante do o cen­tro e do sul. Em 98 o pre­si­dente da Carhartt veio a Portugal e entregou-​​me a marca para o país todo que repre­sento até hoje.

Como come­çou a tua rela­ção com a marca?

Em 1995 estava numa loja, a Big Punch, que era a pri­meira loja que tinha mar­cas como a Carhartt, Stussy, Etnies e mais um série de mar­cas ame­ri­ca­nas. O con­tacto com a marca come­çou por um catá­logo a preto e branco que a  Xana, (com quem vive) trouxe de uma feira de Paris . Era um catá­logo super básico  e que no essen­cial tinha os pro­du­tos ame­ri­ca­nos. Nunca mais me esqueço da impres­são que me cau­sou e disse para a Xana que aquilo  era muito bom, que tinha­mos que ter na loja. Era tão básico tão básico que cau­sava uma exce­lente impres­são. Tinha as jar­di­nei­ras, as Double Knee Pants, as cal­ças de tra­ba­lho ame­ri­cano em raw denim sem lava­gens. Ou seja, a minha rela­ção come­çou como cli­ente da marca

Como vês a evo­lu­ção da marca desde o dia em que olhaste para o catá­logo e tra­zes a marca para a Big Punch?

No começo não foi fácil  por­que a pró­pria colec­ção base­ava nos mode­los de tra­ba­lho ame­ri­ca­nos que a Work in Progress na Europa impor­tava dos USA. Por isso era tudo muito raw e os lojis­tas não gos­ta­vam de um denim tão duro sem lava­gens. Aos pou­cos fui expli­cando que era uma marca his­tó­rica ame­ri­cana, que pro­du­zia  roupa de tra­ba­lho e que, o pro­duto era assim, mas que, depois de usado, ficava com uma calça com um toque exce­lente. Isso era muito com­pli­cado de expli­car ao logista. Nessa altura tinha muito pou­cos cli­en­tes em Portugal e um nicho de con­su­mi­do­res que com­pre­en­diam a marca.  Depois quando a Work In Progress, já com as licen­ças para criar roupa para a Europa, come­çou a fazer cal­ças com as lava­gens, tudo se tor­nou mais fácil. O mar­cado abriu-​​se, até por­que, depois da Big Punch abriu uma West Cost no Porto e uma Razo em Faro que se  tor­namo mode­los  de outras que abri­ram no resto do país ori­en­ta­das para o stre­etwear. Inicialmente eram lojas que esta­vam sem­pre muito asso­ci­a­das aos des­por­tos radi­cais e ao gra­fitti e street art e no fundo, seguiam um movi­mento simi­lar ao que ocor­ria no resto da Europa.

 

E como vês a evo­lu­ção da marca?

A Carhartt na Europa esta cada vez mais uma marca de life style . Colaborações com Adam Kimmel ou A.P.C. são epi­só­dios que se vão man­ter, levando a marca a outros públi­cos. Ou seja, vão-​​se pro­du­zir linhas  para um outro pata­mar em ter­mos de ima­gem qua­li­dade e preço.  As mar­cas pre­ci­sam de diver­si­fi­car a sua audi­ên­cia sem que isso resulte num des­vir­tu­a­li­za­ção do ADM da marca.

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