Cat Power x Sun

Com 9 regis­tos em estú­dio – e o pri­meiro álbum de iné­di­tas em seis anos -, Sun (2012, Matador), a can­tora de Atlanta, Georgia, deixa de lado a melan­co­lia semi-​​acústica para apre­sen­tar o tra­ba­lho mais ousado  de toda a car­reira. Longe das suas gui­tar­ras habi­tu­ais, Chan Marshall mer­gu­lha  no uso de sin­te­ti­za­do­res e todo  num arse­nal de novas refe­rên­cias electrónicas.

Nada óbvio ou mini­ma­mente simi­lar ao que já fez e os  11 temas  iné­di­tos de Marshall afastam-​​se da per­so­na­gem sofrida pro­jec­tada  ao longo de duas déca­das. De cabe­los cur­tos e até radi­ante em diver­sos momen­tos, Cat Power subs­ti­tui a dor pela supe­ra­ção, as gui­tar­ras pelos beats, e o sofri­mento por um fino toque de humor iró­nico. O fim do seu rela­ci­o­na­mento com o actor Giovanni Ribisi, pre­sente  em parte do disco não parece espe­ci­al­mente amargo quando com­pa­rado com as lamen­ta­ções que com­pu­nham  “You are Free” 20023

Mesmo que Sun se revele fas­ci­nante e inu­si­tado, não há como negar que as aven­tu­ras elec­tró­ni­cas da can­tora sus­ci­tam reac­ções adver­sas. Algumas expe­ri­ên­cias soam retró­gra­das e falha­das dada a opção de Chan Marshall pro­du­zir e defi­nir ela pró­pria todo o rumo do disco. É jus­ta­mente por conta dessa exe­cu­ção básica de algu­mas com­po­si­ções que Sun acaba per­dendo mui­tos pon­tos e não atin­gindo o resul­tado que pare­cia natu­ral­mente enca­mi­nhado a alcan­çar. Contudo, a boa con­du­ção de alguns momen­tos cha­ves no decor­rer da obra, como em Real Life, 3,6,9 e na extensa Nothin But Time tor­nam regu­lar e cri­a­tiva a situ­a­ção do disco.

Principalmente para os velhos segui­do­res da can­tora, Sun é um tra­ba­lho que exige tempo até se reve­lar por com­pleto – ou par­ci­al­mente com mai­o­res efei­tos. Ainda que algu­mas bases sejam as mes­mas dos memo­rá­veis tra­ba­lhos que carac­te­ri­za­ram a actu­a­ção da artista entre o fim dos anos 90 e o iní­cio da década seguinte, quanto mais nos aven­tu­ra­mos pelo disco, mais Marshall mos­tra o quanto evo­luiu como can­tora. Ou seja, o sol bri­lha forte no novo álbum de Cat Power, mesmo que algu­mas nuvens ten­tem blo­quear isso.

Quem gos­tou do album foi Nicolas Jaar que ja fez um remix do sin­gle Cherokee, faixa que inau­gura o álbum.

 

 

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