DJ RIDE x Life In Loops

DJ Ride acaba de edi­tar Life In Loops, o ter­ceiro álbum de uma car­reira per­ma­nen­te­mente aberta à novi­dade e  invenção.É um caso sin­gu­lar em Portugal: um DJ que emerge no hip hop, que tem a inte­li­gên­cia de inves­ti­gar outras galá­xias cri­a­ti­vas do uni­verso ele­tró­nico, que conta já com três álbuns de ori­gi­nais, incluindo o novís­simo Life In Loops, um par de eps, e inú­me­ras cola­bo­ra­ções em tra­ba­lhos alheios. O que espanta, é que toda essa noto­ri­e­dade e fôlego cri­a­tivo assen­tem numa pro­posta essen­ci­al­mente ins­tru­men­tal, num país em que os holo­fo­tes se con­cen­tram, quase sem­pre, em quem se posi­ci­ona frente ao microfone.

No novo álbum, DJ Ride uti­liza a gene­ro­si­dade do seu olhar para se cru­zar com artis­tas tão diver­sos como a cana­di­ana Sarah Linhares ou os por­tu­gue­ses Paus e Legendary Tigerman, artis­tas com­ple­ta­mente dife­ren­tes um dos outros, mas que conhe­cem em Ride um deno­mi­na­dor comum. Essa apro­xi­ma­ção simul­tâ­nea a diver­sos uni­ver­sos é, aliás, uma marca dis­tin­tiva na car­reira de Ride, sem­pre pronto para enve­re­dar pelos ter­ri­tó­rios do funk, rock, jazz ou elec­tró­nica, sem qual­quer tipo de receio.

Além da sofis­ti­ca­ção pop de «Here Before», o pri­meiro sin­gle com Sarah Linhares, Life In Loops, revela, a cada nova audi­ção, cama­das e cama­das de ideias, onde as dife­ren­tes face­tas de Ride rece­bem aten­ção: o pro­du­tor expe­ri­men­tado, claro, sem­pre atento ao papel de cada som na arqui­te­tura geral dos temas, mas tam­bém o DJ que gosta de mani­pu­lar dire­ta­mente os rit­mos, con­fe­rindo uma huma­ni­dade pro­funda a esta ele­tró­nica. E há ainda o músico: DJ Ride nunca com­pro­mete a musi­ca­li­dade em detri­mento da fun­ci­o­na­li­dade – na pista de dança ou no sis­tema de som – e isso é outra das mar­cas que o eleva.

Campeão de gira­dis­quismo, DJ Ride é, no entanto, alguém que gosta de mexer dire­ta­mente com as mãos na música que pro­duz. Mesmo que base­ada nas mais avan­ça­das tec­no­lo­gias, a sua música tem sem­pre o balanço humano de quem foi apren­dendo a comprometer-​​se perante um cole­tivo: Ride tra­ba­lhou com com­bos de jazz, como parte de orques­tras em pal­cos onde se desen­ro­la­ram bai­la­dos, com abra­si­vos gru­pos onde a ener­gia rock é evi­dente. E isso mostrou-​​lhe como é impor­tante apli­car as mãos, jun­ta­mente com o cére­bro, na música que se produz.

Num clube ou nuns aus­cul­ta­do­res perto de si, DJ Ride pode andar às vol­tas com a vida, mas consegue-​​o fazer com a dose certa de bate­rias em ebu­li­ção, de pres­são de bai­xos e de colo­ra­ções ele­tró­ni­cas vari­a­das. Um caso à parte, sem dúvida.

texto de Davide Pinheiro para PARQ #36 Outubro 2012

 

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