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Voxels x Everygirl

No site dos Voxels não há uma biografia, mas quando se fala do circuito da música de dança eletrónica, os rostos nem sempre são essenciais para que consigamos compreender a música. E muitos dos que a produzem, sobretudo aqueles que já ultrapassaram a fasquia da adolescência, têm background noutros universos. É o caso de Pedro Chamorra, um dos Pedros dos Voxels, dupla separada pela A1 que em Setembro editou o EP Everygirl pela Enchufada dos Buraka Som Sistema. Melómano confesso, tal como o homónimo Pinto, tem um currículo musical definido pelo eclectismo, onde constam entradas de Michel Jackson, Prince, Bach, Metallica, US3, Nirvana e um disco que viria a mudar a história musical de vida: (Who’s Afraid Of) The Art of Noise, um compêndio de “samplagem”, tal como já tinha sido My Life In The Bush of Ghosts, de Brian Eno e David Byrne. Nenhum se conhecia na década de 90, quando passavam as tardes em garagens, inspirados por Black Album ou Nevermind, mas a complexidade rítmica do metal mexia com os dois.

Nesta história que parece benzida pelo destino, o Porto encaminhou-os. Chamorra tinha um estúdio e teve o nome ligado a músicos como Weatherman e a editoras como a Monocromática, já depois de, no início da década, ter sido VJ no Lux e no Indústria (onde também era DJ). Pedro Pinto esteve sempre ligado à cena noturna portuense que, com o aparecimento de clubes como o Plano B, motivou uma nova cena noturna. Com o irmão, formava os Twin Turbo, nome que se tornou familiar nos cartazes das festas eletrónicas de cariz underground. 

Os dois começaram a sair à noite e o passo seguinte foi passar música no Porto num período em que os Twin Turbo tinham uma agenda generosa. Chamorra redescobria a música eletrónica, com a qual se tinha envolvido dez anos antes, e Pinto desenvolvia um gosto que, ainda hoje, o leva a partilhar novas descobertas. “O Pedro é um pesquisador por excelência, um digger impressionante”, define Chamorra.

Agora como Voxels, complementam-se. Chamorra é um “rato de estúdio” e Pinto um relações públicas com experiência na organização de festas. Ainda assim, os Voxels “são uma relação de amizade que já leva cinco anos” e a fundação tinha como objetivo criar “um coletivo” de formato híbrido em que os vocalistas rodassem vagamente, inspirado pelos Soulwax. Foi a afinidade pessoal, a principal responsável por tê-los, em 2010, e finalmente com o nome que agora assinam.

A paixão pela música levou-os a fazer edits para nomes como Chromatics, Gorillaz e James Murphy ou o portuense Rodolfo. Mas foi uma leitura dos Voxels para Hangover BaBaBa que impressionou João Barbosa dos Buraka Som Sistema. Numa altura em que Chamorra estava a vender equipamento, Lil’John contatou-o e, no momento do encontro, o produtor dos Voxels mostrou-lhe o edit do viciante single. O interesse do cérebro dos Buraka foi imediato, e após novas audições de material diverso, ficou combinada a edição. Para trás, ficou um EP pela Night Runners, uma label da finlandesa Top Billing, voltada para o disco e o sonho de gravar um álbum que aguarda timing oportuno. A caminho vem uma canção com Matias Aguayo, um dos heróis musicais. E o apoio de DJs como Brodinski ou Toddla T tem-se materializado com a inclusão de produções dos Voxels em mixtapes. O namedropping não pode terminar sem uma referência a DJ Mehdi, homenageado em Everygirl, assumidamente inspirada em Signatune do DJ francês. E tocar lá fora? “Nunca aconteceu mas espero que sim”. Apanhem-nos quando cair a noite na cidade.

Texto de Davide Pineiro

 

 

Francisco Vaz Fernandes
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