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David Jimenez x Cymbeline

De passagem por Lisboa, entrevistamos David Jimenez o músico que está por detrás do projecto londrino Cymbeline, que tem  previsto para o início de Fevereiro o seu primeiro álbum, Stories I Never Told You .  Lisboa, é uma cidade que gosta de visitar com regularidade porque é umas das suas fontes de inspiração e porque lhe traz grande tranquilidade. Eternity é o single que já se pode ouvir, apontado como um grande sucesso na área do Folk-Pop.

Lançaste o teu primeiro single  recentemente. Quais as são as tuas expectativas no momento?

Foi um processo longo e construtivo. Começou tudo com uma letra que tinha escrito há sete anos e que ficou escondida por falta de confiança  para a mostrar. Quando há 3 anos resolvi começar a criar a minha própria musica porque até então apenas escrevia letras para outras bandas onde tocava baixo ou guitarra, passei a assumir-me como songwriter e tudo passou a fazer sentido e a ser mais exposto. No ano passado assinei o meu primeiro contrato com uma companhia discográfica  e começamos a trabalhar em Eternity o meu primeiro single.

Vendo em retrospectiva, Eternity parece-me uma canção muito pessoal que evoca muitos sentimentos, pessoas e  situações que vivi que foram muito difíceis num determinado momento. Se calhar por isso  o tema ficou guardado numa gaveta tanto tempo. Alan (Alan Emptage http://www.onelouderstudios.co.uk) captou rapidamente a ideia subjacente e o desenvolvimento desta música acabou por ser bastante rápido. Para mim enquanto songwritter, Eternity é um tema muito pessoal e sinto-me privilegiado que um editora discográfica tenha acreditado em mim. O tema está a correr bem em termos de divulgação e tenho esperança que o  álbum que vai sair em Fevereiro seja  bem recebido

Há quantos  anos tinhas este  projecto em mente e quais as próximas  fases para a sua concretização?

Comecei escrever poesia quando tinha cerca de 16 anos. Gostava muito Walt Whitman, Neruda,  Llorca e  num certo momento o meu interesse pela música e pela poesia chegaram a um ponto comum. A minha primeira banda, Nadir era já resultado do encontro destes dois interesses. No entanto, os poemas mais pessoais ficaram guardados na gaveta e só há três anos quando comecei a compor música e desenvolvendo um projecto pessoal senti à vontade suficiente para trabalhar letras que não conseguia mostrar anteriormente. Na verdade,  agora sinto-me mais forte e confiante para desenvolver um projecto pessoal baseado no que eu penso e quero da música.

No momento, a editora estão a produzir o segundo single do futuro álbum, que se chama If There Is a god . Já estamos a trabalhar no vídeo do tema que vai ser dirigido por Ella Mango, também realizadora  do meu vídeo anterior.  Gosto muito de trabalhar com esta cineasta e sinto que é um privilégio trabalhar com uma artista tão criativa. No dia 3 de Dezembro vamos fazer uma apresentação do segundo single num concerto muito intimo num local secreto (risos). O meu primeiro álbum sai no inicio do Fevereiro mas no entretanto vão existir muitas surpresas.

Em geral como caracterizas a tua música?

A minha música, tal como a música que eu gosto baseia-se em pessoas. Considero a musica uma arte e como songwriter penso que a musica depende do estado emocional  das experiências e do quadro social e cultural que estamos a viver. Se eu tenho que falar da minha  arte diria que é poesia transformada em música que fala de emoções, de perdas, de encontros, de  erros e de como aprender a amar outra vez.  Penso que é muito importante estabelecer  uma conexão colaborativa com a tua banda e com as pessoas que estão na produção. Porque se calhar muitos songwriters ficam  encerrados em si mesmo o que pode ser muito contra-produtivo. A critica dos outros é muito importante para o desenvolvimento das minhas próprias ideias e de facto tenho uma equipa que tem sido importante para o desenvolvimento deste álbum. Para mim é muito claro que a musica é uma arte e gostaria que a minha música fosse assim entendida.

Como surgiu , Stories I never told youpara título do teu álbum?

Como já tinha dito desde que comecei a escrever letras muitos dos temas que abordava eram tão pessoais que não podia mostrar, ou não tinha coragem de os expor. Agora tenho mais à-vontade para revelar o nunca tinha contado. Há cerca de 3 anos uma pessoa muito importante na minha vida, o meu avó, desapareceu da minha vida. A vida de repente transformou-se numa coisa insuportável e ele simplesmente decidiu partir. Ainda me doí muito essa decisão e ainda questiono sobre tudo o que passaria pela sua cabeça, tudo aquilo que nunca chegou a falar comigo. Se calhar, eu e o meu avó somos muito parecidos e sempre temos as nossas histórias guardadas. Se calhar Stories I Never Told You é uma combinação de histórias que tinha guardado em mim a que somei a dor e a tristeza de uma pessoa que queria tanto. O meu primeiro álbum fala dessas pessoas que ficam neste estado impotente e que não encontram outra saída que a morte, sem perceber que há uma esperança. Não acho que seja um álbum triste mas é um álbum que fala dessas coisas e como pessoas deveríamos perder o medo de confrontar certas situações e ter coragem de sermos positivos e abraçar o que a vida tem para oferecer, sem medo do que se sucede.

Cymbeline no ITunes e amazon http://www.amazon.co.uk/gp/aw/d/B0092BB51Q

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Francisco Vaz Fernandes
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