Lana Del Rey tem sido até agora uma boneca viva, facilmente maquilhada de acordo com as exigências contratuais ou sonoras de seus produtores. Tem provado que consegue ir a todos os registos, tendo sido o seu trajecto marcado pela irregularidade e a artificialidade. Born to Die ‚o“primeiro” registo oficial da artista não passava de um conjunto de colagens sonoras que praticamente tornam a cantora irreconhecível. No entanto, em “boas mãos” a norte-americana não somente demonstra as duas capacidades, como faz ecoar uma perceptível dose de talento e acerto, como vem provar o elaborado Paradise EP (2012, Interscope/Polydor), o mais recente e o melhor registo da cantora.
Livre dos excessos que delimitam a extensão de Born To Die – trabalho que dependendo da edição alcança arrastadas 17 faixas –, o pequeno disco mantém (em oito músicas) a artista dentro da zona de conforto a que estava habituada, agradando mesmo quem tenha desacreditado o último álbum. Melódica, coberta por almofadas densas de sintetizadores, arranjos de cordas e vozes que estão longe de um resultado robótica, Lara Del Rey caminha pelo trabalho sem pressa. Longe da pressão estabelecida, mesmo antes do primeiro disco, a cantora encontra o que talvez fosse esperado há alguns meses, durante a entrega do comentado debut, com Lana mergulhando na mesma massa sonora que tanto despertou o interesse do público e da crítica nos primeiros lançamentos.
Em Paradise temos uma cantora, que abandona de forma consciente as batidas épicas e o acabamento grandioso imposto de forma artificial em Born To Die para reviver o mesmo clima doce que deu destaque a músicas como Blue Jeans e Video Game. Desta vez a produção conseguiu atingir uma sonoridade capaz de exaltar aquilo que a artista tem de melhor, a sua presença enigmática. Cada faixa está preparada para valorizar a presença voluptuosa da cantora, capaz de converter as apresentações ao vivo em um jogo de olhares, suspiros e sensações aproveitadas de maneira coesa ao longo de todo o EP.
Melhor exemplo dessa valorização do carácter erótico/sedutor do trabalho está em Cola (Pussy), terceira canção do disco que é uma das musicas mais envolventes até agora lançadas por Del Rey. Já Bel Air arrasta-nos para um mundo de sonhos e completa o cenário paradisíaco e mágico, um propósito bem conseguido.






















