lana del rey

Lara Del Rey x Paradise

Lana Del Rey tem sido até agora uma boneca viva,  facilmente maquilhada de acordo com as exigências contratuais ou sonoras de seus produtores. Tem provado que consegue ir a todos os registos, tendo sido o seu trajecto marcado pela  irregularidade e a artificialidade. Born to Die ,o“primeiro” registo oficial da artista não passava de um conjunto de colagens sonoras que praticamente tornam a cantora irreconhecível. No entanto, em “boas mãos”  a norte-americana não somente demonstra as duas capacidades, como faz ecoar uma perceptível dose de talento e acerto, como vem provar o elaborado Paradise EP (2012, Interscope/Polydor), o mais recente  e o melhor registo da cantora.

Livre dos excessos que delimitam a extensão de Born To Die – trabalho que dependendo da edição alcança arrastadas 17 faixas –, o pequeno disco mantém (em oito músicas) a artista dentro da zona de conforto a que estava habituada, agradando mesmo quem tenha desacreditado o último álbum. Melódica, coberta por almofadas densas de sintetizadores, arranjos de cordas e vozes que estão longe de um resultado robótica, Lara Del Rey caminha pelo trabalho sem pressa. Longe da pressão estabelecida, mesmo antes do primeiro disco, a cantora encontra o que talvez fosse esperado há alguns meses, durante a entrega do comentado debut, com Lana mergulhando na mesma massa sonora que tanto despertou o interesse do público e da crítica nos primeiros lançamentos.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=JzOjwj7M-7A

Em Paradise temos uma cantora, que abandona de forma consciente as batidas épicas e o acabamento grandioso imposto de forma artificial em Born To Die para reviver o mesmo clima doce que deu destaque a músicas como Blue Jeans e Video Game. Desta vez a produção conseguiu atingir uma sonoridade capaz de exaltar aquilo que a artista tem de melhor, a sua presença enigmática. Cada faixa está preparada para valorizar a presença voluptuosa da cantora, capaz de converter as apresentações ao vivo em um jogo de olhares, suspiros e sensações aproveitadas de maneira coesa ao longo de todo o EP.

Melhor exemplo dessa valorização do carácter erótico/sedutor do trabalho está em Cola (Pussy), terceira canção do disco que é uma das musicas mais envolventes até agora lançadas por Del Rey. Já Bel Air arrasta-nos para um mundo de sonhos e completa o cenário paradisíaco e mágico, um propósito bem conseguido.

Francisco Vaz Fernandes
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