local Natives

Local Natives x Hummingbird

A leveza instrumental e o sofrimento traduzido em versosé o que podemos encontrar de mais genuíno no recente album dos Local Natives, Hummingbird (2013, Frenchkiss) . Com um formato primorosa , a banda de Los Angeles, utiliza os elementos regulares como um mecanismo de expansão dos seus próprios limites. Geralmente de natureza delicada, cada composição assinada pelo grupo ultrapassa os limites prévios que regem a proposta do coletivo,tal como acontecia na sua obra anterior, Gorilla Manor (2009), um álbum pleno de sutilezas .

No novo álbum, cada faixa é um prenuncio da seguinte. Ou seja, o que à partida  é diminuto e comportado, de seguida parece explodir em exageros controlados que se relacionam com as principais directrizes do grupo: as melodias suaves e a dor. Dessa forma, enquanto Heavy Feet cresce de maneira a soterrar o ouvinte com emanações suntuosas e encaixes musicais sublimes, logo em sequência Ceilings puxa o álbum para junto de uma formatação melancólica e amena.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=FoyjUYtk30s

Existem ainda composições que lidam com a mesma proposta duplicada do registro, caso de Breakers, faixa que arrasta o ouvinte em uma avalanche de altos e baixos instrumentais que atacam diretamente os sentimentos de quem passa pela obra.

E por falar em sentimentos, são eles quem abastecem cada mínima fração instrumental e poética no decorrer da obra. Das confissões que lavam a faixa de abertura, You & I, ao fecho honesto de Bowery, registo que lida com aspectos dolorosos da vida a dois. Nesse aspecto o grupo aproxima-se dos mesmos lamentos adultos que abastecem a obra do The National, até porque contas com a presença de Aaron Dessner na produção do disco. De fato, muito do que orienta a construção de Hummingbird está ligado ao Chamber Rock que a banda de Cincinnati promove desde o álbum Boxer (2007), substituindo a atmosfera soturna por melodias de alcance épico.

Francisco Vaz Fernandes
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