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Sara-a-dias, a mulher-a-dias da ilustração

Primeiro era Sara Osório, uma jovem licenciada em Ciências da Comunicação. Depois, largou os “calhamaços de estudo” para seguir um sonho: o design gráfico. Apaixonada por ilustração infantil e cinema de animação, Sara Osório construiu assim a estrada de tijolos amarelos até ao seu alter-ego. “Sara-a-dias” reflecte a “mulher-a-dias” que há em si, “que aperta o avental para tirar o pó de umas ideias e polir outras”. O projecto nasceu quando esta ilustradora e designer freelancer se viu a ser arrastada pela crise, sendo obrigada a perder o medo de “cair no ridículo”, criando um blogue à moda de um espaço de fuga onde “abre os braços, partilha histórias e aponta o dedo”. Fora deste universo ilustrado, Sara Osório é só mais uma licenciada que trabalha fora da sua área de formação, nomeadamente no atendimento ao público. Apesar da monotonia desta realidade, o seu trabalho proporciona-lhe episódios e peripécias que a inspiram para novas ilustrações todos os dias. Quando está em modo Sara-a-dias, é-lhe permitido “alucinar”, desenhando com humor a “odisseia” que é a sua vida.

A artista revê-se na palavra “delírio” e descreve as suas ilustrações como igualmente delirantes.
As personagens que cria e as histórias que conta a cores são fruto de uma mente fértil que se inspira em tudo o que a rodeia. “Sonhar horas a fio” faz parte do seu processo de inspiração, entrando num estado onírico onde a imaginação e a realidade se fundem e transparecem no alter-ego de Sara Osório.
Sara-a-dias passa pessoas para o papel. Transforma-as em personagens com personalidade própria, mas condescendentes o suficiente para se deixarem desenhar em situações diversas, escolhidas pela artista. As descrições e diálogos que acompanham as ilustrações transpiram humor sem receios. Sara Osório concentra-se nos pormenores insignificantes da sua vida, quando adopta o papel de contadora de histórias. O seu trabalho é espontâneo. O truque? Não levar nada a sério e saber tirar o proveito disso.


Sara-a-dias também já tem lugar na paisagem lisboeta. O projecto “Recilar o Olhar”, da Galeria de Arte Urbana, convidou-a a sair à rua sob o tema “Enamorados por Lisboa”. A sua versão peculiar do “Zé Povinho” decora agora um vidrão, na Avenida Praia da Vitória, na Estefânia. Neste projecto podemos observar um “cozido à portuguesa” ilustrado à moda de Sara-a-dias, que casa, na mesma personagem, o “Zé Povinho” com a “Carmen Miranda”. Neste casamento é assumida a paixão por Lisboa.
Entre “bonecada, riscos e rabiscos”, a Sara-a-dias veio para ficar e espera um dia poder viver da ilustração.

 

Texto de Joana Teixeira

Francisco Vaz Fernandes
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