gingers_main_image

Soft Sex

No mundo dos festivais Queer, o português, António da Silva tem ganho proeminência dada à sua prolífera produção, que a tem tornado uma presença constante. Residente em Londres, os seu filmes debruçam-se sobre padrões culturais no interior da comunidade gay, com um carácter sexual explícito. Nesse sentido, eles escapam aos habituais circuitos do cinema documental entrando para um nível underground onde já têm o seu culto.

Cada um dos seus filmes, realizados em vídeo ou super 8, partem de temáticas referentes à forma como uma comunidade vive a sua sexualidade. Em alguns refere-se ao preconceito contra os ruivos em Inglaterra, ao fenómeno dos Daddies em San Francisco, ao culto do corpo musculado no Rio de Janeiro, ou ao engate na Praia 19 na Caparica. Em todos eles envereda por um “cinema verdade” com tom documental mas, segue invariavelmente a sequência de um filme pornográfico, onde a ejaculação será o climax e ponto final do filme. Ou seja, aos intervenientes é pedido para se exporem em frente à câmara e se despirem. É na montagem que o realizador se concentra na repetição dos gestos dos intervenientes, numa evidente padronização de corpos que expressam o seu prazer. Em voz off, pequenos registos de vida soam, mas sem sequência lógica com os corpos da imagem, o que enfatiza o aspeto performativo e voyeurista deste trabalho.

Toda a naturalidade do seu cinema parte de um reconhecimento de padrões de uma comunidade que o realizador apenas ritualiza. Longe de ser um elemento exterior, o realizador é apenas um dos atores implicados, o ponto de partida de um ambiente de sedução auto-biográfica É aliás esse ponto híbrido, entre o confessional, o documental e o pornográfico que reside o interesse do seu cinema. Na verdade, traz ao cinema documental uma realidade onde nunca os corpos pareceram tão naturais, tão auto-confiantes daquilo que são.

Francisco Vaz Fernandes

http://antoniodasilvafilms.com

 

Francisco Vaz Fernandes
No Comments

Post a Comment