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ALEXANDRA MOURA EM LONDRES

Alexandra Moura a convite do Portugal Fashion e com a colaboração da WonderlandMagazine apresentou a sua primeira coleção em Londres, no Hotel London Edition. “Lover’s Eye” foi um olhar romântico, de uma designer portuguesa que está a fazer de Londres, o eixo central sua marca.

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Qual a razão porque optaste por uma apresentação mais performativa da coleção, quando se calhar estávamos à espera de um desfile mais convencional como em geral acontece em Lisboa?

Foi uma questão estratégica. Como somos uma marca nova em Londres e porque há muitos desfiles a acontecerem durante a London Fashion Week, não quisemos ser mais um. De qualquer forma, não é propriamente uma novidade, grandes marcas internacionais optam por este tipo de apresentação porque também há um público que prefere que assim seja. Por isso consideramos que seria uma boa estratégia porque também acreditamos que íamos conseguir uma maior aproximação dos buyers, dos opinion leaders, ou seja, de todas as pessoas influentes da industria de moda. Finalmente foi uma opção feliz. De facto tivemos as pessoas que nos interessam nesta indústria. A forma como se apresentou a coleção permitiu uma maior aproximação e reconhecimento da marca junto desses profissionais, que era no fundo o nosso objetivo inicial. Esta estratégia foi desenhada com uma das melhores revistas inglesas, a Wonderland Magazine, que tem uma estética que tem tudo a ver connosco e por isso, tudo fez sentido no momento da apresentação. Acho que foi um momento crucial para conhecer o universo Londrino, antes de começar a pensar em desfiles, porque a marca precisa de estar mais consolidada junto de um publico inglês e internacional. Este acaba por ser o primeiro passo e com grande êxito

Porquê Londres?

Londres é neste momento a nossa base. Temos aqui uma agência de comunicação e um showroom de vendas, daí que fizesse todo o sentido uma apresentação da coleção em Londres. 

E quais são as tuas expetativas com esta coleção?

Manter os pontos de venda que já conquistamos com a coleção anterior e obviamente atingir mais pontos de venda com esta. O objetivo de consolidar a internacionalização da marca e ganhar raízes no mercado global.

 

Existem influências portuguesas que trazes para as tuas coleções?

 As minhas coleções trazem sempre vários tipos de influências. Pode ser uma época, uma pessoa, um país. Eu considero que são sempre muito minhas. Sou portuguesa de alma e coração, mas a minha cabeça pertence ao mundo e é aí que vou buscar influências. Por tanto, uma semana da moda internacional e global como é Londres encaixa bem nas minhas perspetivas.

Que diferenças encontras entre o mercado português e o britânico?

Há uma grande diferença. No mercado britânico há uma verdadeira cultura de moda e o consumo de moda é uma prática comum. Não há o medo de comprar moda, de comprar design. Claro que o poder de compra também ajuda e isso obviamente acaba por ter uma grande influência. Portugal não tem o mesmo poder de compra mas não quero com isso dizer que não haja dinheiro. Também há pessoas com poder de compra em Portugal que têm capacidade de compra só que infelizmente raramente optam pelo design nacional. Estranho porque tenho uma aceitabilidade incrível em Londres, no Japão e na Dinamarca. Há na escala global um público que procura e gosta do nosso design. Por isso tenho pena que em Portugal haja um público que apenas procura as marcas mais massificadas e ainda não queiram o design nacional.

 

FOTOS: Nian Canard

ENTREVISTA: María Cuntín

 

Francisco Vaz Fernandes
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