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Bruno Pernadas : Música de muitas cores

Enquanto criança ouviu muita música dos anos 60, 70 e 80 por intermédio da irmã mais velha. Mais tarde desenvolveu uma paixão enorme pela guitarra e bateria, ficando encantado com o facto de ser possível reproduzir nota por nota toda a música que ouvia e admirava. Hoje, Bruno Pernadas e os seus compagons de route partilham a sua música com muitas cores do mundo nos discos, concertos em salas e festivais, nas bandas sonoras para bailado, cinema e teatro. Mas não só, se ele, no período de adolescência consumia de uma forma obsessiva toda a música que que era emitida nos programas de televisão “120 minutes”, “Alternative Nation” e “Wah Wah”, hoje podemos escutá-lo também nos separadores da RTP1.

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O que andaste a fazer nestes últimos 9 anos?

Nos últimos nove anos desenvolvi muitos projetos, tentarei de alguma forma dar relevo aos que considero mais importantes. Gravei o meu primeiro disco de originais que nunca foi editado, mudei de casa, voltei a treinar natação, visitei Itália duas vezes, perdi o meu primeiro carro, terminei a minha formação académica, voltei a gostar de RnB, criei os Julie & The Carjackers em parceria com o João Correia, editei três discos em nome próprio, Trabalhei para a Companhia Nacional de Bailado para a peça “Romeu & Julieta”, onde compus, toquei e dirigi um ensemble de oito músicos, fiz a banda sonora original para dois filmes “A toca do Lobo” de Catarina Mourão e “Steamboat Bill jr” de Buster Keaton a convite do Festival Curtas Vila do Conde. Dei aulas de música em várias Escolas de Lisboa, atualmente apenas leciono na Escola do Hot Clube.

Quais os artistas que te constroem? Que levam a seres o Bruno Pernadas que conhecemos?

Existem muitos discos importantes para a minha vida que de alguma forma tiveram uma influência mais direta na minha forma de compor e de tocar, tais como a banda sonora original criada por David Bowie para o Filme “The Labyrint” (1986), “Jewels of the Sea” – Les Baxter, todos os discos de Pixies até ao disco “Trompe le Monde”, hip hop dos anos 90, a maior parte da música jazz desde dos anos 30 até aos anos 80, Bernard Herrman, César Franck, Alex North, enfim…é muito complicado sintetizar.

Compuseste para o bailado “Romeu e Julieta”, para a longa metragem “A Toca do Lobo”, para a peça de teatro “A Origem das espécies” e os novos separadores da RTP1, como te adaptas aos diferentes terrenos?

Tento perceber qual o tipo de dramaturgia e/ou abordagem cénica/emocional que o encenador pretende, quais as suas referências, qual o processo de criação, as suas opções, características fundamentais, no fundo tento descodificar quais os fatores mais importantes a nível emocional, para mais tarde através da composição musical tentar enaltecer ou transformar os diversos momentos. Tento também usar diferentes instrumentações nas várias peças, no caso do bailado “Romeu e Julieta” usei naipe de sopros, duo de cordas e secção rítmica, a composição teve como base algumas referências da música erudita contemporânea, eletrónica e música de câmara. No caso dos Separadores da RTP, usei sintetizadores analógicos e a música Lounge, easy-listening dos anos 70 como base de criação.

 

Como te manténs a “alegria num mundo cheio de conhecimento” e no pior “Verão de sempre”?

Não mantenho. A vida dos músicos e compositores profissionais é muito exigente e por vezes pode ser muito frustrante, muitas pessoas fora da área não têm consciência que para alcançar certos resultados como músico profissional tem que se estudar e trabalhar imenso, é uma vida dedicada inteiramente à carreira sem ter certezas que este investimento pessoal algum dia chegará a algum lado significativo, tal como na dança ou no desporto. Tento não passar muito tempo dentro de estúdios, vejo muitos filmes, estou próximo da praia sempre que posso e não leio emails depois das 20h.

 

Texto de Marcelo Marcelo

Publicado em PARQ #53 Março 2017

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Francisco Vaz Fernandes
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