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Os teenagers de Ryan McGinley

Os teenagers de Ryan McGinley acamparam no Museu de Arte Contemporânea de Denver (MCA Denver). Até 20 de Agosto, o museu na capital do Colorado mantém as portas abertas ao universo juvenil de uma Manhattan underground do final dos anos 90 ao qual o fotógrafo pertencia e que ficou popularizado a partir das imagens do seu auto-publicado álbum fotográfico, intitulado Kids are Alright. Nele representava-se um registo fotográfico íntimo e compulsivo dos amigos e amantes, grande parte deles em horas de fruíção e prazer. O impacto das suas imagens foi estrondoso, tendo recebido o convite para uma exposição individual no Whitney Museum de Nova Iorque aos 25 anos, o mais jovem artista de sempre a expor nesse centro cultural.

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Quase 20 anos depois, muito longe daquele rapaz tímido que fez uma seleção das suas primeiras imagens para o seu primeiro álbum fotográfico, McGuinley volta aos inícios da sua juventude para mostrar muito do que não foi revelado na altura. São acrescentadas fotos nunca então vistas, assim como um conjunto de 1500 polaroids que, no essencial, criam um rosto de todos aqueles indivíduos que já nos eram de algumas formas familiares. Ryan McGinley parece querer chegar aos amigos que foram relevantes nesse período de tempo, cujas identidades estavam difusas no seu primeiro álbum fotográfico. Cada um desses indivíduos foi fundamental para toda a atenção que McGinley recebeu do meio artístico. Este emocionou-se com a proximidade com que McGinley registava esses corpos que se ofereciam às lentes da câmara. Captando imagens de grande liberdade emocional e que ofereciam uma autenticidade única. Nessas fotografias de McGinley, o autor nunca era um elemento externo à procura de um bom objeto fotográfico. A distância entre o sujeito e objeto era mínima e os diferentes rostos captados eram um eco do seu próprio retrato individual, diluído entre os que compunham a sua tribo e uma certa geração em Nova Iorque naquele momento.

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Vindo de New Jersey para Nova Ioque, McGinley regista, os encontros, as experiências e os excessos que não lhe eram permitidos fora do seu contexto familiar. As suas imagens chocam com um certo idealismo que a sociedade americana fabricou para a sua própria juventude e que marginalizava como opção. Excluídos e autoexcluindo-se os jovens de McGinley encontram a sua liberdade nesse território de permissões, onde modelam as suas individualidades num quadro underground de Nova Iorque. McGinley coloca-se assim na esteira de trabalhos fotográficos de grande relevância como o de Larry Clark, que em Tulsa, cria um retrato da juventude desocupada e violenta que reencontrou depois de anos de afastamento da sua pequena cidade de interior. Mergulha igualmente no universo de afetos em que se desenvolve a fotografia de Nan Galdin, em Ballade of Seual Depency . Em todos encontramos a imagem íntima de uma outra América fora do discurso oficial.

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O catálogo da exposição da responsabilidade da Rizzoli, ou seja, profundamente difundido, será a cereja no topo do bolo, já que reedita o primeiro álbum de McGinley, The Kids are Alright, agora diluídos entre muitas outras imagens do período que vai de 1999 a 2003 e quatro textos introdutórios de contexto crítico.

Www.mcadenver.org

Texto de Francisco Vaz Fernandes

Publicado em PARQ #53 Março 2017

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