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DISCURSO NO PARQUE DAS NAÇÕES

Criador da Odd Future vai assinar um dos momentos altos da próxima edição do Super Bock Super Rock.

A 14 de Julho, o extraordinário Tyler, The Creator vai manter a pressão hip hop sobre o cartaz do Super Bock Super Rock que, com o sucesso em 2016 do concerto de Kendrick Lamar, pode muito bem ter descoberto a pólvora. Na bagagem, o rapper da Odd Future trará Cherry Bomb, disco de 2015 que no entanto continua mais fresco do que uma alface, tal o grau de criatividade originalmente investido. Conhecendo-se Tyler, é certo que haverá outras novidades para serem debitadas no Parque das Nações e até lá, seguramente que serão avançadas algumas surpresas. Através da internet, claro, que tem sido a principal plataforma para a imposição da sua vertiginosa carreira.

Tyler pode parecer um miúdo, vestir-se como um skater acabado de sair do liceu, mas percebeu, antes de todos os tubarões desta indústria, que a internet lhe dá todas as ferramentas necessárias à construção do seu próprio império. Primeiro com o Tumblr e depois com o Twitter, Tyler construiu uma sólida base de fãs que lhe permitiu, no final de 2009, estrear-se com Bastard, eliminando de facto os intermediários e indo diretamente à jugular dos fãs. E enquanto a indústria ainda se debatia a discutir se os downloads eram ou não o futuro, como castigar quem descarregava música ilegalmente da net, etc., Tyler, que então contava apenas 18 anos, parecia dizer “ignorem-nos a todos e sigam-me”. E as pessoas seguiram-no: atualmente, o rapper conta com quase quatro milhões de seguidores no twitter (conta @tylerthecreator) e começa também a perguntar-se se realmente precisa dessa plataforma, argumentando que os tweets que vai disponibilizando, que já passaram os 40 mil, são conteúdo que está a oferecer a uma plataforma alheia.

Tyler, The Creator, quando não está a vestir a pele de orador em conferências decisivas para o futuro dos media, quando não está a desenhar roupa (é a isso que se refere a palavra Golf estampada em muitas das roupas com que faz fotografar), a pensar em séries de televisão, a tweetar para milhões ou a skatar no parque mais próximo de casa, também faz música. E aos 26 anos já conta uns impressionantes quatro álbuns – Bastard, Goblin, Wolf e Cherry Bomb. Para este último trabalho, Pharrell Williamns funcionou como um guia. Ao seu lado, o rapper e produtor (e cada vez mais produtor) reuniu gente como Dam Funk, Roy Ayers e até arregimentou uma secção de cordas que gravou no estúdio de Hans Zimmer, o premiado compositor de bandas sonoras. E depois contou com ajudas preciosas de Kanye West, Syd dos The Internet ou Kali Uchis.

Agora, o hiperativo criador prepara um documentário que não deverá demorar a estrear. Tudo o que possa pôr cá fora será útil para irmos contando os dias que faltam para o seu discurso num Parque das Nações Unidas sob a mesma batida. Venha ele!

Texto de Rui Miguel Abreu

 

Francisco Vaz Fernandes
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