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João Oliveira

Vencedor de dois prémios nas duas últimas edições do Sangue Novo do Moda Lisboa, João Oliveira é um jovem talento no panorama da Moda nacional. Recusando ainda o título de “designer”, João está prestes a representar Portugal na próxima edição do Fashion Clash, em Maastricht, e a ingressar numa das melhores escolas de Design do mundo, a Domus Academy, em Milão. 7G7A7693 A paixão de João pela Moda surge pelo desenho, quando estava no quarto ano, a aprender Inglês. À medida que ia aprendendo novas palavras, ia criando peças. A partir de então, conta, foi-se desenvolvendo: “fui-me tornando mais criativo, a fazer coisas diferentes daquilo que via na rua”. Sem acesso à Internet ou revistas de Moda, João sublinha que o seu percurso começou de forma “independente”. Do seu espólio de referências, o designer aponta para Alexander McQueen, pelo seu poder de inovação. “Sentia que estava a aprender com ele” – revela – “sentia que ele passava uma mensagem de criatividade”. Em termos de silhuetas, João Oliveira destaca a japonesa Comme Des Garçons. No entanto, de uma forma geral, o olhar do designer está atento àquilo que outros estilistas estão a usar, e mesmo a outras pessoas que, não sendo designers, estão dentro da área. João tem ainda em consideração aquilo que outros designers que estão a começar fazem “para ver como vai a concorrência”, refere entre risos. 7G7A7987 “A inspiração vem toda da mesma forma” assegura. Por detrás de todas as criações de João está uma musa, que pode vir buscar da pintura, por exemplo. Daí, o designer procura inovar no que toca a materiais e silhuetas. O seu trabalho consiste em “experimentar, experimentar, experimentar” e em dar o máximo de si, confere. O seu processo de criação gira ainda em torno de emoções. Sem uma linha de condutora, as peças de João Oliveira são facilmente identificadas como suas: “há sempre algo de inesperado, há sempre uma surpresa”, reconhece. A primeira coleção de João data da sua licenciatura em Design de Moda e Têxtil no Instituto Politécnico de Castelo Branco. Na altura fez dois coordenados, pegando no conceito da Guerra Fria, especificamente nas fardas finlandesas. “Explorei as silhuetas e fiz casacos de cortes diferentes e joguei muito com as layers, que sempre que possível gosto de pôr em prática nas minhas coleções”, recorda. Já no primeiro ano do mestrado em Design do Vestuário e Têxtil, sob uma proposta conceptual, o criador afirma ter feito aí “tudo o que gostava”: “peguei em carpetes, juta, e outros materiais pouco convencionais e novamente criei silhuetas extremamente exageradas, criei manipulações e criei formas novas”, explica. 7G7A8046 Fora de um registo “formal”, o criador fala da primeira colecção apresentada na Moda Lisboa, na edição de Outubro. “Effeuiller” valeu ao designer o “Prémio Fashion Clash”, embora se tenha contido um pouco, sem saber como o público pudesse reagir, confessa. Mesmo assim, a colecção conta com elementos como cordas e elásticos. Entre as duas colecções apresentadas no Moda Lisboa, a primeira foi a que teve a melhor reacção, relembra, por ter sido mais comercial e mais prática. No passado mês de Março João apresentou a colecção Society, conferindo-lhe o “Prémio Moda Lisboa”. “Desta vez, como fui mais longe, a reacção foi diferente”, comenta. Para além das boas observações, a colecção mais recente do designer também recebeu comentários como “não compreendi isso” ou “não percebi o que é que fizeste”. “É um desafio, e isso dá-nos força para lutarmos pelo nosso campo”, sustenta João. “Sinto que Portugal ainda está muito de pé atrás no que toca ao que é conceptual”, contempla, salvaguardando que a situação não se verifica entre as pessoas da área da moda, “mas entre o público português no geral”. O criador explica que não há tanta compreensão por aquilo que é mais extravagante. 7G7A7495 A vitória de João Oliveira na Moda Lisboa em Outubro abriu-lhe o caminho para a próxima edição do Fashion Clash, a partir de 29 de Junho em Maastricht. O designer representará Portugal com a sua colecção mais recente. Além disso, João vai ter a oportunidade de estudar na Domus Academy, onde espera “conhecer pessoas e profissionais incríveis. O jovem admite estar totalmente ansioso e preparado para rumar até Milão. “Sinto às vezes que ainda não deveria ser considerado designer, apesar de estar quase a acabar o meu curso”, diz, ciente de que ainda tem muito para aprender. João sabe que ainda tem muitos passos para dar, mas lembra que tem recebido boas repostas por pate de profissionais e do público. “Devagarinho hei de encontrar o meu caminho. Ainda não sei exactamente o que vai acontecer daqui para a frente”, confessa. Por enquanto, o jovem criador pretende terminar o mestrado, encontrar um estágio ou um emprego e não faz planos para um futuro mais remoto. “Não costumo fazer planos, vou com o vento”, conclui. Texto de João Patrício Fotografia de Kristin von Jam

Francisco Vaz Fernandes
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