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Gorillaz : No final somos todos Humanos

A alvorada do disco nasceu da hipotética ideia de que se acordássemos num mundo em colapso catalisado por um estranho evento radical o mundo seria uma caótica realidade. Está marca desta forma o regresso dos Gorillaz. Chamaram Humanz ao seu novo e quinto registo de originais, após um hiato de sete anos do grupo. Este novo mundo da banda animada é incrivelmente enriquecido pela diversa e prolifera quantidade de colaboradores que acabam por ser as estrelas do disco.

A lista dos convidados vai desde a diva do Rhythm and Blues e Gospel  Mavis Staples ao promissor jamaicano Popcaan, passando por Vince Staples, a Grace Jones, os De La Soul e Zebra Katz, entre outros. Recentemente Damon Albarn explicou numa entrevista que convidara tão grande e variado número de artistas para impressionar a sua filha. 

Embora contando com tantos contributos, na verdade Humanz não difere muito dos anteriores registos que a banda nos tem oferecido. Antes pelo contrário, resulta num caldeirão de referências que conduz o álbum a bom porto, é certo, mas sem inovar ou introduzir propriamente nenhuma transgressão de barreiras musicais.

Dir-se-ia que a banda optou por crescer num sentido mais abrangente, tendo criado o Demon Dayz Festival e estando a trabalhar numa série para TV de 10 episódios, apenas para referenciar algumas das suas atividades. Contudo, se por um lado a tecnologia está cada vez mais presente na vida da banda, por outro, ao vivo, há cada vez mais a presença humana dos elementos da banda.

Inicialmente foi proposto aos colaboradores que imaginassem como reagiriam se Donald Trump ganhasse as eleições para presidente. A ideia era registar o confronto com uma distopia ficcionada. Contudo, dados os resultados, a edição foi feita com uma produção politicamente correta. No entanto, por muito desbastado que tenha ficado, podemos ainda encontrar um esgar desse registo na magnífica interpretação de Grace Jones em “Charger”, na ferocidade de Jehnny Beth em “We Got The Power” ou no melodramático Benjamin Clementine em “Hallelujah Money”. Curiosamente este último tema foi o escolhido para ser o primeiro single do álbum.

Musicalmente o disco não deixa de ser um bálsamo para os nossos sentidos com tantos tiques eletrónicos. Essas inúmeras referências podem ir desde os sintetizadores que evocam John Carpenter em “She’s My Collar” com a participação de Kali Uchis ou o sabor a Funk-Soul dos Earth, Wind & Fire em “Strobelite”. 

Impressionantes são também os acordes dos sintetizadores que acompanham Albarn em “Busted And Blue”, que nos rementem para os Art of Noise, sobretudo na maravilhosa canção “Moments of Love”. Doce, doce é o tema “Submission” com a colaboração de Danny Brown graças à magnifica voz de Kelela. 

Surpreendentemente Humanz não apresenta nenhum tema que seja um forte candidato a Hit comparativamente a “Dare” do álbum Demon  Days ou de “Clint Eastwood”, do seu disco de estreia homónimo. No entanto, entre as vinte faixas encontramos momentos memoráveis o suficiente para nos prender a atenção como “Andromeda”, com a participação de D.R.A.M ou de   Hallelujah Money”, com a colaboração de Benjamin Clementine.

Temas como “Carnival” com Anthony Hamilton, “Strobelite” com Peven Everett ou “Let Me Out” com Mavis Staples e Pusha T não são propriamente músicas de segunda divisão mas também não acrescentam nada no panorama do Hip-Hop composto pela banda no passado. Contudo, a banda volta a marcar pontos nesta linha musical com o refrescante “Saturnz Barz” graças ao contributo de Popcaan. 

Adivinha-se que “Momentz”, com os De la Soul a liderar as hostes, possa ser uma explosão nas pistas de dança, tal como “Sex Murder Party” com a colaboração de Jamie Principle & Zebra Katz, sobretudo pelas fortes batidas que iniciam a música. 

Apesar da festa anunciada, Humanz revela-se como um disco fragmentado e desnivelado, cheio de estrelas que são uma preciosidade para cada um dos seus temas mas que não eleva a brilhante o álbum como um todo. Mais interessante e revigorante que os seus antecessores The Fall e Plastic Beach, mas a uns furos abaixo do homónimo Gorillaz e de Demon Days

Texto de Carlos Alberto Oliveira

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Francisco Vaz Fernandes
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