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Kruella d’Enfer : Existence Without Form

 

 

 

Exponho, logo existo. Kruella d’Enfer surpreendeu-nos novamente com uma viagem mística ao âmago da sua existência como artista visual, desta vez com a exposição “Existence Without Form”, no Espaço Artroom, em Lisboa. Esta exposição individual foi um jogo a três, que contou também com a participação de João Almeida Santos, ghostwriter encarregue da componente escrita, e de Alberto Vieira, DJ e co-fundador da editora Discos Armada, encarregue da banda sonora original da exposição.

 

“Existence Without Form” foi o ponto de encontro de Kruella com a sua essência. Num diálogo entre texto, som e ilustração, materializou uma regressão às suas origens artísticas – um triângulo de simbolias, não fosse “três” o número da perfeição. A senha de entrada para a exposição – “infinito” – levantava uma ponta deste véu de misticismo visual sob o qual a artista tinha montado uma viagem espiritual à descoberta da identidade humana, com paragem obrigatória nos universos do oculto e sobrenatural. Através de estandartes em cetim pintados à mão, Kruella contou uma história de cor intemporal com criaturas misteriosas, rostos desconstruídos e símbolos místicos como personagens principais. Com o objetivo de proporcionar uma experiência transcendente e incomensurável ao observador, a artista colocou ainda à sua disposição a bíblia da exposição – um livro com textos, ilustrações e uma cassete com a banda sonora – para que todos pudessem levar um pouco desta aventura para casa.


“Existence Without Form” foi a expedição de Kruella d’Enfer, de estandarte em punho, em busca do “eu” – qual Fernando Pessoa das artes visuais.

Como é que a Kruella existe sem forma?
Existe nas energias que transmite e que recebe, no que acredita, no que questiona diariamente, no que ambiciona mas sem grandes planos porque sabe que o futuro é incerto e faz pouca questão de se prender ao passado.

Porque decidiste explorar também as palavras e os sons nesta exposição?
Neste momento o mais importante são os meus amigos, e convidei dois deles para entrar nesta aventura comigo. Tanto o Alberto Vieira como o João Almeida Santos precisavam de um projecto assim e então foi a altura e a junção perfeitas. Tive logo a noção, desde o início, de que seriam o complemento que faltava para as minhas peças, que já eram complexas, mas que desta forma conseguiriam transmitir a mensagem que idealizei e que enriqueceu brutalmente com a presença deles. 

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“Existence Without Form” é descrita como uma descoberta espiritual. É esta a tua exposição mais íntima até agora? Consideras que estás a fechar um caminho na arte e à procura de outro, sendo esta exposição o momento de transição? 
Eu considero-me uma pessoa misteriosa, não gosto de lhe chamar espiritual. Tenho fascínio pelo oculto desde muito cedo, desde as histórias que ouvia em criança na minha aldeia em Tondela, que sempre me despertaram curiosidade. Sempre gostei de testar os limites do meus medos e também da minha imaginação. Desde filmes como “Eyes Wide Shut” ou “Holy Mountain” a documentários sobre cultos, maçonaria, filosofias e religiões, e músicas mais dark e pesadas – tudo isso contribuiu para o que explorei nesta exposição. São imensas as referências e são todas muito pessoais.  

Quando viste a exposição pronta a ser inaugurada, o que desejaste que as pessoas experienciassem ao visitá-la?
Quis, acima de tudo, que sentissem que estava completa, que era uma experiência, que perdessem tempo a ler, a ver as peças, a ouvir a música. Que reparassem que havia uma mensagem, mesmo que desse para perceber logo pela estética, que ia muito para além disso. Que reparassem que também houve um esforço muito grande para fazer acontecer esta exposição, que houve muitas pessoas incríveis envolvidas. Acho que senti isso nas pessoas e nas opiniões que fui ouvindo, senti que as consegui transportar para o meu mundo. 

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Continuas à descoberta de ti própria ou encontraste-te nesta exposição?
Aprendi muitas coisas nestes últimos meses e sinto que a paz comigo própria é cada vez maior. Continuarei incansavelmente à procura (de qualquer coisa), continuarei a questionar-me e a não sentir medo do que possa vir, nem a perder tempo com o que está para trás, porque no fundo é isso que me faz sentir viva e realizada.

Texto de Joana Teixeira para a edição #53 (Maio/Junho de 2017) da Parq

Www.kruelladenfer.com

 

imagens e performances promocionais da exposição

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Francisco Vaz Fernandes
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