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Rita Gt : Return to Earth

Uma construção de tijolos de uma fábrica falida com o fim do mundo português em África, misturados com jaricãs em grés produzidos por RITA GT, referindo-se a um quotidiano africano, são o mote de uma exposição intitulada “Return to Earth”, que podemos ver na Galeria Belo-Galsterer.

Com referências a Viana do Castelo, terra natal onde regressou e a Luanda onde reside parcialmente, esta exposição representa um retorno às origens, a chegada a um ponto base onde se questiona enquanto pessoa, artista, mãe e mulher. RITA GT encontra a resposta numa abertura ao mundo, tendo qualquer ponto, mesmo que nos possa parecer o mais longínquo, na perspetiva dos grandes centros de produção artística – Viana do Castelo onde a artista se estabeleceu com a família e o Uigi, província remota de Angola, onde realizou parte do trabalho exposto, como um palco privilegiado de afirmação.

A artista tem uma preferência por romper fronteiras entre realidades aparentemente díspares tendo como base a sua prática quotidiana onde a fluidez com que a vida acontece o nega. Ou seja, é-se mulher, mãe e artista, simultaneamente, todos dias sem bloqueios intermédios. Nesse sentido, a sua atividade criativa revela sempre uma grande abertura, que começa por se questionar em que sentido a sua obra permite que os outros também existam. Questiona em que medida a sua obra é fonte de aproximação.

Nesta exposição, o trabalho que desenvolve com uma comunidade do Uigi torna-se central, na medida em que a artista adapta os rituais de uma comunidade e os convoca simultaneamente a participarem num ritual que todos conhecem. Para RITA GT, esta experiência pessoal torna-se a fonte performativa documentada e fotografada que apresenta na galeria. Também aqui há um regresso às origens, tal como refere, conduzida por uma comunidade que a recebe.

No conjunto fotográfico como no vídeo apresentado a artista ensaia de formas de representação numa paisagem que é à partida estranha. É neste nível que dois universos distantes são convocados e que existindo paralelamente sem contradições, permitem um clima propício a fusão de campos. É sobre este terreno que RITA GT gosta de se posicionar, são estes cruzamentos que dão sentido enquanto artista, porque se tornam o palco propício para o quebrar de barreiras entre culturas e universos. Como se pode ver nesta exposição com peças de várias origens, não vivemos mais num universo de culturas isoladas mas de culturas que se inter-relacionam. Em exposição até 4 de Novembro.

Francisco Vaz Fernandes

Rita GT

Galeria Belo-Galsterer
Rua Castilho, nº71 -R/C Esq, Lisboa

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Francisco Vaz Fernandes
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