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Rui Maria Pêgo: I am You

1. A campanha de apoio à comunidade LGBT da Levis baseia-se no slogan I am. Que importância dás à possibilidade de cada indivíduo ser o que bem entender?

A maior de todas. O primeiro passo para se viver de forma autêntica – seja essa forma aquilo que se quiser, hexágono pode ser – é decidirmos que o queremos fazer e tomarmos as rédeas do nosso amor-próprio e da nossa vida. Não é simples nem automático, mas é vital. Somos todos iguais no mesmo: queremos ser ouvidos. Acho sempre que a melhor forma de expressão é aquela que jorra. Sem artifícios. Sem “será que devia”. É um processo longo que – na minha opinião – não deve ser feito sem vulnerabilidade e cuidado com os outros.

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2. O que é que te levou a estampares na tua t-shirt a palavra You?

Escolhi a palavra YOU porque acredito piamente que somos todos iguais dentro das nossas diferenças. Todos queremos ser vistos. Entendidos. Amados em segurança. Podes ser gay, bi, trans ou um cinzeiro, eu sou feito do mesmo que tu. Por isso I AM You. Essa é a próxima revolução. Bom, pensando bem, talvez não feito do mesmo que um cinzeiro, mas só porque os meus pais não me quiseram mandar vir em mármore.

3. Vives rodeado pelo público e pela comunicação social. Depois de te assumires como homossexual, foi fácil lidares com a opinião pública?

Foi. Nunca fingi ser algo que não era, mas assumires o que és num contexto profissional muito público como o meu muda algumas coisas. No meu caso, o meu objectivo não era o coming out porque sim, era esta ideia de que I Am You. Somos todos o mesmo. A História ensina-nos isso e repete-nos os traumas para ver se aprendemos. Lido tranquilamente com tudo. Recebo muito amor e muita verdade desde esse texto que escrevi. Há quem me confie a sua história e isso é comovente. Encontro muito menos homofobia na rua e online, mas ainda vejo alguns títulos sensacionalistas na imprensa que são pouco responsáveis. Acho que faz parte do avançar do processo de equilíbrio social, mas jamais me esquecerei de como o assunto foi tratado em revistas e jornais bem cotados. Temos muito que andar. Ainda se lê “a confissão decomo se falássemos de um pecado. Ainda se pega em textos positivos numa rede social e se baralha tudo para gerar clickbait. Acredito que isto muda, mas depende também de nós e do que consumimos. Outra vez: nós decidimos.

4. Como comunicador e radialista, de que modo é que a tua posição pode ser proveitosa para se passar uma mensagem emancipação da comunidade LGBT?

Não sei se a expressão é “proveitosa.Eu acredito que não se deve viver de forma desligada dos outros. Aprendi isso a custo. Logo, sempre que posso, uso a minha voz para passar aquilo que acredito ser verdade: amor é amor. Cada um deve fazer o que entender com o seu corpo e vida, e, ainda, que isto não são temas LGBTI. Falamos de direitos humanos. Não há hierarquia nisso. Merecemos todos o mesmo tratamento. Tento ser uma catapulta deste discurso e de expressões artísticas que considero que não têm tantos holofotes, mas a boa notícia é que está tudo a mudar. Não estou – estamos – sozinhos. Devemos a todos os que vieram antes de nós não permitir que o arco-íris desapareça.

Texto de Liliana Pedro

Entrevista Rui Maria Pêgo, Profissão: Apresentor e locutor, Idade: 29

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Francisco Vaz Fernandes
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