Francisco

Francisco Beatriz : I am respect

A colecção Levi’s® Pride 2018, de apoio à comunidade LGBTQ, baseia-se na mensagem I AM. Que importância dás a possibilidade de cada indivíduo ser e de se afirmar como bem entender?

Eu acho que a liberdade de expressão ou essa liberdade de “ser” que existe nos dias que correm não devia ser uma questão sequer. É essencial o indivíduo ter segurança para se exprimir, para criar, para partilhar a sua experiência, para ser livre. Se cada indivíduo tiver essa liberdade, a sociedade evolui e cresce.

2. O que é que te levou a estampares na tua t-shirt a palavra Respect”?

Sempre achei que existe muito a tendência para rotular as pessoas. Os homossexuais são assim; Os heterossexuais são assado; Os homens isto;As mulheres aquilo. Mas na verdade cada um de nós é muito mais do que a sua sexualidade. Eu não sou quem eu levo para a cama ou a pessoa por quem eu me apaixono ou por quem eu me senti atraído uma vez naquele bar. Ortega y Casset dizia: Eu sou eu e as minhas circunstâncias. E eu acredito nisso. Acredito que acima de tudo temos que nos respeitar mutuamente. Sou um confesso admirador e apaixonado pela complexidade do ser humano e, por isso, acho que o respeito enriquece em muito as relações interpessoais. Se nos respeitarmos todos uns aos outros mais de metade dos problemas do mundo estavam resolvidos.

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3. Na tua carreira teatral foste reconhecido por representar uma personagem transexual. Como foi encarar essa personagem e todos os preconceitos e diferenças de géneroque a envolviam?

Foi uma experiência transformadora em muitos sentidos. Não por ter de lidar com os preconceitos do público em geral porque esses já sabia que ia encontrar, mas porque me confrontei com preconceitos meus que não sabia que tinha. Esta personagem ensinou-me muito a viver a minha sexualidade com mais segurança. Quando estava a fazer a preparação e o trabalho de pesquisa, quis sempre que a “Alice”(nome da personagem) não fosse definida pela sua sexualidade, mas queria perceber quem era ela como pessoa, como se sentia em relação a tudo o que a rodeava, como é que ela via o mundo. E é por isso que hoje em dia é mais fácil para mim perceber a importância desta campanha. Muita gente no final do espectáculo me dizia que era impossível eu não ser homossexual e fazer a Alice tão bem. Isso para mim era extremamente frustrante porque são comentários desses que te fazem perceber a força que os rótulos têm. Foi muito revelador observar o medo que as pessoas têm de quem é diferente ou se comporta de uma maneira diferente. Mas o inverso também acontecia. Por vezes, haviam pessoas no público que eu achava que iriam estar menos predispostas a apreciar a peça, ma depois vinham-me agradecer no fim porque o espectáculo tinha mudado a sua perspectiva à cerca do casamento homossexual, por exemplo. Eu acho que o mundo se torna um sítio muito mais interessante se todos formos capaz de fazer o inesperado, de ter a tal possibilidade de nos afirmar e de sermos quem bem entendermos. É dessa zona de liberdade que os grandes avanços surgem.

4. Como foste recebido pela comunidade LGBTQ durante ou depois desse papel?

Honestamente sempre fui muito bem recebido pela comunidade LGBTQ, mesmo antes do espectáculo. Não posso dizer que tenha havido uma grande diferença no trato para além de um maior respeito mútuo. Passei, sim, a compreender melhor os preconceitos que a comunidade LGBTQ é tima. Da comunidade para comigo houve sempre a consideração por eu estar a passar a mensagem da igualdade, de amor, de respeito e liberdade para todos.

texto de Liliana Pedro

Francisco

Francisco Vaz Fernandes
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