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Kruella d`Enfer (entrevista)

Kruella d’Enfer é uma das nossas jovens promessas na área da ilustração e Street Art. A força do seu trabalho reside na capacidade de criar figuras enigmáticas baseadas num traço firme e rebuscado.

Quem é a Kruella d`Enfer ou angela Ferreira?

Sou uma miúda que vem duma aldeia em Tondela. Tive 5 colegas de turma na primária e o meu pai levava-me à escola de cavalo ou de mota e dava boleia aos meus amigos todos. Cresci a ouvir bandas como Prodigy, Nirvana e Beastie Boys e a aprender a lutar no karaté com os meus 2 irmãos. Isto foi só o começo… Entre Tondela, Lisboa, Londres, acabei por vir parar ás Caldas da Rainha sabe-se lá porquê.. mas gosto de estar aqui a viver.

Porquê o nome Kruella d´enfer?

As vilãs da Disney sempre me meteram medo quando via desenhos animados em criança. Hoje em dia o mundo dos vilões, dos gangsters e dos maus da fita fascina-me.. Não me apetecia ser a Ursula da Pequena Sereia nem a Malévola da Bela Adormecida, portanto decidi ser a Cruella dos 101 Dálmatas porque tem estilo.


Em quem e em quê te inspiras para desenvolveres os teus trabalhos?

Acho que se nota que os meus trabalhos têm todos o seu quê de sinistros… Eu gosto de investigar cenas parvas, como mitos, cultos, seitas, bruxarias, conspirações, misticismos.. Digo parvas, porque há certas coisas em que não acredito, tenho apenas

curiosidade sobre as histórias por detrás desses temas.. Talvez por ter nascido numa noite de Halloween…


Sempre sonhaste, sempre quiseste ser uma artista?

Acho que sim.. Desde pequena que gosto de desenhar, sempre vi que a minha família também tinha jeito para o desenho, mas seguiram trabalhos diferentes na sua vida… Eu optei por levar isso mais a sério, e sempre fui a artista lá de casa.

Quando começou a tua carreira a desenvolver-se e porquê seguir uma carreira como artista/pintora/ilustradora?

O meu percurso sempre foi um bocado atribulado, já passei por cursos universitários diferentes, mas nenhum deles era o aquilo que queria.. Este ano decidi arriscar e dedicar-me 100% a isto, tenho imensos projectos e planos e felizmente já começo a ter reconhecimento e muitas propostas de trabalho.. A minha carreira está ainda no inicio e em constante desenvolvimento, acho que daqui para a frente, se tudo correr bem, só podem vir coisas boas..
Além nas ruas, onde podemos encontrar os teus trabalhos expostos?

Por exposições individuais ou colectivas em galerias, por Portugal e pelo resto do mundo…

Muitos dos teus trabalhos estão pintados na rua, pretendes emitir alguma mensagem com a tua street art?

Gosto de experimentar novas maneiras e estilos de fazer aquilo que gosto. A street art ou graffiti como preferirem chamar-lhe, ainda é recente, e é uma coisa que não costumo fazer muitas vezes… Mas sinceramente, não o faço para ter uma mensagem ou significado.. Gosto de pintar sem ter que me preocupar com isso.. A ideia de que a street art tem que ter alguma mensagem significativa para mim não faz muito sentido.



Onde podemos encontrar a tua street art nos dias de hj?

Se vierem ás Caldas da Rainha, principalmente às fábricas abandonadas. Se forem a Barcelona e brevemente também vou pintar umas coisas em Lisboa!

Street art não é fácil desenvolver e á quem não goste, situações menos agradáveis que te tenham acontecido? E agradáveis, alguma em especial?

Eu evito ao máximo situações menos agradáveis.. Não quero ter problemas com as pessoas, não quero ter que fugir da policia.. Por isso quando vou pintar, tento sempre escolher o lugar mais calmo possível.. Quero passar uma agradável tarde, sem preocupações.. Já fui apanhada pela policia em Barcelona, não aconteceu nada de especial.. mas é uma situação que eu espero que não volte a ser repetida muitas vezes.

Fala-me um pouco sobre o teu último trabalho, Walk&Talk, onde foste buscar inspiração, qual a sua mensagem?
Quando recebi o convite para fazer um trabalho para os Açores, achei interessante estudar mais sobre os costumes e tradições da ilha.. Queria que fosse um trabalho que fosse reconhecido pelas pessoas de lá. No meio das minhas pesquisas descobri a Mulher do Capote.. É um traje típico da ilha dos Açores, tem uma capa e capuz enorme, usado pelas mulheres e geralmente é preto ou azul escuro.. Achei fantástico e sombrio como eu gosto, portanto decidi recriá-lo à minha maneira!
Onde podemos encontrar de momento este teu último trabalho em exposição?

De momento as pessoas que organizaram o Walk&Talk estão a preparar outra exposição nos Açores, onde vai estar esse meu trabalho e os de outros artistas.

Recentemente, existe mais algum trabalho a ser desenvolvido?

Estou cheia de trabalho e isso só pode ser bom sinal! Estou a trabalhar para a Experimenta Design, para os Macacos do Chinês, para uma exposição colectiva no Brasil, para outras cá em Portugal e por outros países na Europa. Ao mesmo tempo que dou todos os bocadinhos do meu tempo livre a trabalhar num projecto que tenho em conjunto com o Akacorleone, que para já ainda é segredo.

Por onde andas nos dias de hj, estudas ou somente trabalhas como freelancer?

Estar a viver nas Caldas da Rainha só me trouxe coisas boas para a minha vida pessoal e profissional. Estive a frequentar um curso na ESAD, mas acabei por me dedicar totalmente ás minhas ilustrações e aos meus projectos. Partilho um atelier fantástico com o Akacorleone onde passamos a maior parte do tempo a trabalhar. Tanto eu como ele, damos o nosso melhor para conseguirmos alcançar os nossos objectivos, e ajudamo-nos mutuamente o que é fantástico.

Francisco Vaz Fernandes
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