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Michael Bojkowski entrevista

De desconhecido designer gráfico, Michael Bojkowski passou a nome de referência no mundo cibernético, projecção reconhecida através do blog vanguardista Linefeed. Fazendo vídeos onde mostra aquelas que considera ser as melhores revistas de design mundial, Michael já citou por diversas vezes o nome da PARQ, sendo um dos mais importantes responsáveis pela divulgação internacional da revista. Depois de tão importante reconhecimento, a PARQ não podia deixar de entrar em contacto com Michael.

De onde surgiu a ideia de criar um blog tão pouco convencional como o linefeed?

O blog nem sempre teve este nome, na verdade ele começou por se chamar boicozine, há cinco anos atrás. Fui encorajado  a começar o meu próprio blog por Jeremy Leslie, responsável pelo blog magculture.com. Desde que comecei com o boicozine que este tem vindo a ser mencionado em numerosas revistas de design mundial, a Print and Creative Review é um exemplo disso. Nesta altura, foi inevitável criar uma versão imprensa do boicozine, e daí surgiu a LineRead, revista presente no Walker Art Centre, na exposição “Graphic Design: Now in Production”.

Não estava receoso de que ninguém recebesse abertamente o blog, uma vez que se tratava de um público anónimo?

O blogging tem mudado bastante nestes cinco anos. Voltando atrás, foi um pouco único o facto de um designer escrever sobre design de forma informal. Agora temos bastantes pessoas que consultam o blog simplesmente porque procuram imagens de projectos de design. Com o Tumblr e o Twitter, muitas conversas que eram tidas sobre blogs acabaram por conduzir as pessoas até ao meu blog. Sendo assim, a popularidade tem vindo em ondas, embora nunca me tenha interessado em tornar popular. Só queria atingir o gosto das pessoas e tentar preencher certas falhas que existiam.

Porque escolheu fazer críticas em vídeo em vez de críticas escritas? Porquê a opção de não mostra a sua cara nos vídeos?

Comecei por escrever críticas mas achei que fazer vídeos era na verdade muito mais rápido. Era também algo que não via muita gente fazer, o que me entusiasmou. A opção de não mostrar a cara, devo de confessar que se deve ao facto de ser um pouco envergonhado.

Qual foi o critério usado na escolha de um número limitado de revistas dentro de um tão vasto grupo de revistas mundiais?

Sempre tentei encontrar revistas que muita gente ainda não tenha visto ou que são difíceis de encontrar, mas também me agrada quando uma revista dita “normal” é misturada no grupo das revistas mais raras, um gosto que não sei explicar. Muita gente vê as revistas como algo efémero, que se compra e deita fora, mas para mim elas são como um tesouro, e eu gosto de descobrir tesouros escondidos.

Como soube da existência da revista PARQ e o que considera que distingue a PARQ das restantes revistas?

Não me lembro onde a vi mas fiquei intrigado assim que a vi. Penso que o director de arte da PARQ, Valdemar Lamego, compreende realmente que uma revista progride de tempos a tempos. Mais do que outro meio de intermediação de design, as revistas não param de se mover, mudar e progredir. É entusiasmante esperar para ver o que vai sair no mês seguinte. As revistas que se mostram muito receosas em mudar de registo, em mudar a sua imagem, sofrem durante algum tempo e depois acabam mesmo por morrer.

Reconhece, no público de hoje, um maior interesse na compra de revistas de design que antes não eram tão conhecidas?

Gosto de pensar que o público está muito mais interessado em design do que aquilo que os designers pensam. Podem não ter a mesma “linguagem de design” para articular estas coisas mas sabem sobre fontes e layouts. Penso que se o designer fizer um esforço para envolver os leitores, eles acabarão por se aperceber. Terry Jones (I-D magazine) disse uma vez que “Toda a gente é um designer” e eu acredito totalmente nisto.

Na sua opinião, qual o designer gráfico de hoje que está a revolucionar o mundo das publicações de design?

As revistas de design mais reformistas são aquelas onde uma equipa única de pessoas se juntou e, simplesmente, tudo fez um click, onde toda a gente respeita os talentos uns dos outros. Por isso, estar a nomear as revistas mais revolucionárias do momento iria ser estar a desvalorizar o seu trabalho, para além de que, temos de admitir, há demasiadas!

Texto de Marta Ferreira

Francisco Vaz Fernandes
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