Ricardo Passaporte

Ricardo Passaporte

Na verdade, são precisas algumas palavras para descrever o talentoso artista português Ricardo Passaporte e o seu trajeto notório a nível internacional. Em conversa com a PARQ, falou-nos do seu trabalho, de como tudo começou e projetos a serem concretizados num futuro muito próximo.

Nascido em Lisboa, Ricardo Passaporte iniciou o seu percurso académico na capital portuguesa e mais tarde, passara a estudar na Universidade da Beira Interior. Design de Moda, foi o curso escolhido, mas, segundo Ricardo, foi uma opção considerada “como uma birra” para não ter de estudar Pintura, que é a atualmente a sua prática. Chegou à conclusão de que a Pintura seria o que queria fazer da vida. Porém, não quis prosseguir estudos por acreditar que o sistema de ensino não lhe iria acrescentar em nada, sendo que começou a estudar em casa.

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As técnicas de preferência utilizadas no seu processo de criação, são o aerógrafo, o spray ou acrílico. Mas não se fica por aqui. Ricardo está a sempre disposto a desenvolver outras potencialidade que permitam refletir a desunião da pintura e da escultura e focar-se no método de forte expressão gestual. 

É conhecido por ser um artista que valoriza a tentativa do inesperado e pelas referências que faz a supermercados, como é o caso das obras alusivas ao hipermercado LIDL. Contudo, explica, que hoje em dia, olha para essas referências “como se fosse uma planta ou uma temática que se tenha tornado banal”, por achar que atualmente “pegar nessas marcas e logos está a tornar-se uma cena”.

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Ricardo, diz também, que não pretende transmitir nenhuma mensagem em particular. O objetivo é criar reações naqueles que veem e apreciam as suas obras que, no fundo, se tratam de investigações não-objetivas

De momento, Ricardo, está a fazer parte de duas exposições coletivas, uma em Nova Iorque, na Galeria Pablo’s Birthday e outra na Workbench International em Milão. Futuramente, irá ser elemento de uma coletiva no Vestjyllands Kunstpavillon em Berlim e também na Galeria Ruttkowski68. As duas exposições individuais programadas seguir-se-ão, uma na Galeria Eduardo Secci em Florença e outra na Hawaii Lisbon na Parede.

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Com um enorme reconhecimento internacional e uma agenda bastante preenchida, o artista sente-se muito orgulhoso do caminho que percorreu até ao momento. Contudo, lembra que as suas maiores e melhores conquistas ocorreram lá fora e não no seu país de origem, o que o leva a confidenciar-nos de que o seu trabalho é quase inexistente em Portugal. Não por opção própria, mas sim, porque nunca lhe foi dada a oportunidade de expor individualmente.

Texto de Sara Silva para edição de Março de 2018

www.ricardopassaporte.com