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Encontrado no baú: Brian Rennie

 

Numa época em que tra­di­ção não é sufi­ci­ente para man­ter uma marca, Gant foi bus­car Brian Rennie que diri­giu, durante 20 anos, as colec­ções da Escada. Na sua pas­sa­gem por Lisboa, este cri­a­dor explica que está na hora da Gant se assu­mir como uma empresa sueca na linha do grande design que se vive em Estocolmo.(setembro 2009)


 

Vinhas de uma empresa com um posi­ci­o­na­mento dife­rente da Gant. Porque razão te escolheram?

Procuravam alguém com a expe­ri­ên­cia inter­na­ci­o­nal que eu obtive no tempo em que tra­ba­lhei nas colec­ções da Escada, que tem um mer­cado repre­sen­ta­tivo nos EUA. A inten­ção é levar a Gant um nível supe­rior, desen­vol­vendo mais a linha de mulher, e ao mesmo tempo dar mais bri­lho à linha mas­cu­lina. Antes de che­gar, havia uma colec­ção de homem, mulher e cri­ança com equi­pas e direc­ções dife­ren­ci­a­das. Hoje, o objec­tivo é dar uma visão única da moda, onde os temas e as ten­dên­cias são explo­ra­dos em comum.

 

A ideia é, então, reno­var e dar uma ori­en­ta­ção de moda à empresa?

Certo. Uma empresa, mesmo no pico do sucesso, se não se renova corre o risco de ter um público ente­di­ado. E é para reno­var que um direc­tor cri­a­tivo é neces­sá­rio, para que se criem novas pers­pec­ti­vas que per­mi­tam esti­mu­lar a imprensa e pôr o con­su­mi­dor a olhar a marca de forma dife­rente. Há dois anos, eu não pen­sa­ria em usar Gant. Eu olhava mais para mar­cas como Dolce&Gabbana, Dsquared e McQueen e rejei­tava Gant de uma forma snob. Não quero que as pes­soas olhem para a Gant dessa forma e, por isso, hoje temos a “Gant Collection” que é uma linha mais de moda e mais luxu­osa, com mui­tas coi­sas que eu pró­prio gos­ta­ria de usar.

 

Que gos­tas de fazer no teu dia-​​a dia?

Eu sem­pre gos­tei de tra­ba­lhar muito e ainda mais de me diver­tir. Era o que se pode cha­mar um ver­da­deiro party boy. Mas o ano em que fiquei a viver na Escócia, rode­ado de ove­lhas e vacas, fez-​​me apre­ciar muito mais a natu­reza e o tempo que passo com os meus 3 cães. Percebi que gosto muito de moda, mas que esse mundo não tem assim tanta impor­tân­cia. Sinto-​​me muito bem a tra­ba­lhar com a Gant por­que temos um com­pro­misso com o meio ambi­ente, algo que, actu­al­mente, valo­rizo muito

 

E como tem sido a tua inte­gra­ção na Suécia, já que agora tra­ba­lhas em Estocolmo?

Não é fácil. É uma cidade fria e escura, com um Verão curto e lumi­noso que não me deixa ador­me­cer. Os sue­cos são reser­va­dos, o que torna as liga­ções com­pli­ca­das, ao ponto de sen­tir que estou a viver numa terra de nin­guém. Mas depois de tan­tos anos em Munique, onde toda a gente, na rua e nos bares, me conhe­cia e me abor­dava aber­ta­mente, tam­bém é inte­res­sante ser agora anónimo.

 

Que pen­sas do facto da Gant come­çar a ser vista mais como uma empresa de design sueco, onde a área de moda não tem tanta tradição?

 Como mui­tos, pen­sava que Gant era uma empresa ame­ri­cana. Foi, mas já não é. O facto de ser uma empresa de Estocolmo, uma cidade que é reco­nhe­cida pelo exce­lente design, só pode ser bom para a Gant. Olhem para Ikea, Filippa K, Acne, Lindberg. São empre­sas que devem o sucesso ao espí­rito nór­dico e, por isso, penso que é impor­tante divul­gar que tam­bém somos uma empresa sueca e que somos mais euro­peus que americanos.

texto: Francisco Vaz Fernandes

Encontrado no baú: Manuel Aires Mateus

É o rosto por detrás do pro­jecto que vai rea­bi­li­tar a zona do Parque Mayer. Um nome de peso na Arquitectura naci­o­nal e um amante da cidade de Lisboa. Manuel Aires Mateus man­tém com a Arquitectura uma rela­ção de amor/​ódio e diz que no dia em que se levar a sério “estará morto”! (Fevereiro 2010)

Ganhou o Concurso de Ideias para a rea­bi­li­ta­ção do Parque Mayer com uma pro­posta que pre­tende criar um pedaço de cidade pedo­nal. O que se vai passar?

Manuel Aires Mateus: Há vários níveis de res­pos­tas que podem ser dadas. Do ponto de vista da aspi­ra­ção urbana, daquilo que tem a ver com o pro­jecto em si, o que esta­mos a fazer é a uti­li­zar a pos­si­bi­li­dade que se abriu com este con­curso e que con­siste em pen­sar o Parque Mayer não como um pro­blema, mas como uma opor­tu­ni­dade de dig­ni­fi­car uma área que é maior do que a do pró­prio Parque Mayer, que está agar­rada ao Jardim Botânico, que faz parte de um dos mai­o­res quar­tei­rões da cidade e que não tem qual­quer tipo de envol­vente pedo­nal. No fundo, vamos dese­nhar o Parque Mayer, num pri­meiro momento para poder criar novas liga­ções entre a parte baixa e a parte alta da cidade. Ligar a praça da Alegria, a rua da Alegria, a rua do Salitre, o Príncipe Real e o Rato. Com isto, consegue-​​se criar espaço urbano num lugar que está rela­ti­va­mente morto, sendo que este espaço, que neste caso será pedo­nal, é o cen­tro do pro­jecto que, por sua vez, foi sem­pre dese­nhado em fun­ção do vazio, do espaço de domí­nio público e não do construído.

 

E como é que se ven­cem as cotas entre a parte baixa e a parte alta?

Todas as cotas são ven­ci­das pelo mínimo número de meios mecâ­ni­cos e o número máximo de pen­den­tes pra­ti­ca­das por qual­quer pessoa.

 

Em ter­mos pro­gra­má­ti­cos, que tipo de ser­vi­ços vai compreender?

Para além do Capitólio, que será recu­pe­rado, estão pen­sa­dos mais dois peque­nos tea­tros: um que tem mais a ver com a memó­ria da revista e um maior que vai per­mi­tir uma série de espec­tá­cu­los dife­ren­tes. Serão estas as acti­vi­da­des âncora, uma vez que a coroa exte­rior à área de inter­ven­ção já com­pre­ende habi­ta­ção. O inte­resse não é criar mais, mas com­ple­men­tar. Está, con­tudo, equa­ci­o­nada uma uni­dade hote­leira e depois, há ser­vi­ços. O ideal era uma zona com muito comér­cio tér­reo e alguns ser­vi­ços nos pisos supe­ri­o­res. Há ainda um novo par­ceiro, em ter­mos pro­gra­má­ti­cos, para esta área, uma ideia que está a ganhar cada vez mais forma e que con­siste em recu­pe­rar o edi­fí­cio que ardeu do Hot e asso­ciar o Hot, a escola do Hot e o Museu do Jazz nesta área. E com isto garan­tir tam­bém alu­nos, uma parte muse­o­grá­fica e o retorno do clube ao seu ponto de origem.

 

Foram tidas em conta as expec­ta­ti­vas dos habi­tan­tes de Lisboa e do público de uma forma geral?

Este é um pro­cesso que eu diria que foi e está a ser con­du­zido pela Câmara Municipal de Lisboa de uma forma exem­plar. Começa com um Concurso de Ideias, parte para um Concurso de Projecto, é um con­curso refe­ren­dado em duas vol­tas. Depois, entre as duas fases, teve uma Consulta Pública. Voltará a ter uma Consulta Pública. Entregámos agora uma fase pre­li­mi­nar do plano e vamos entre­gar a fase final que, nova­mente, irá ter uma Consulta Pública. E as ses­sões de escla­re­ci­mento, prin­ci­pal­mente entre fases, foram muito par­ti­ci­pa­das e com muita gente. Eu diria que, de alguma maneira, esse sen­tido da par­ti­ci­pa­ção está muito bem acau­te­lado e tem sido feito com muita trans­pa­rên­cia e visi­bi­li­dade em todos os sentidos.

 

De que forma a opi­nião do público pode influ­en­ciar um conceito?

Eu acho que as opi­niões e os con­tri­bu­tos são muito impor­tan­tes e, neste caso, é evi­dente que houve coi­sas que fomos ajus­tando e fomos apren­dendo com o pro­cesso. No entanto, acho que nós não temos mui­tos hábi­tos de par­ti­ci­pa­ção cívica e os que temos são pela crí­tica pouco infor­mada e gene­ra­lista. As pes­soas não estu­dam os pro­ble­mas para os cri­ti­car. É evi­dente que há excep­ções. Mas, nor­mal­mente, as pes­soas têm uma crí­tica fácil, um pouco por falta de hábito. Acredito que seja uma fase e que, com o tempo, as pes­soas pas­sa­rão a ter uma crí­tica e uma par­ti­ci­pa­ção cívica mais con­sis­tente, o que é impor­tante, por­que as cida­des fazem-​​se com a par­ti­ci­pa­ção de todos. Nesta ideia de par­ti­ci­pa­ção, esta­mos no prin­cí­pio e num prin­cí­pio reac­tivo, no sen­tido em que, como há uma ideia de um silên­cio muito pro­lon­gado, as pes­soas ten­dem a rea­gir não para dis­cu­tir mas para tomar uma posi­ção, o que não é impor­tante. Participam muito com o “gosto /​ não gosto”, como se fosse um Benfica-​​Sporting. Mas acho que é um estado e che­ga­re­mos a um estado par­ti­ci­pa­tivo, em que vai ser pos­sí­vel esta­be­le­cer diá­logo. Somos uma jovem soci­e­dade aberta.

 

Quais são os seus luga­res pre­di­lec­tos em Lisboa?

A todos os meus ami­gos de fora, faço um roteiro muito fácil da cidade de Lisboa. Acho que devem come­çar pela Baixa, como se fosse uma espé­cie de espi­nha dor­sal, devem fazer a encosta do Castelo e a encosta do Chiado e Bairro Alto. No fundo, fazer estas duas coli­nas e a cidade ilu­mi­nista, que é uma peça única em ter­mos urba­nos. Depois, acon­se­lho sem­pre, por ser reve­la­dor da Arquitectura por­tu­guesa, os Jerónimos. Que é, de facto, um monu­mento notá­vel. E, com isto, de alguma maneira, cosem a cidade his­tó­rica. Se me pedis­sem um roteiro para fazer Lisboa num dia seria assim. Depois, acho que é impor­tante visi­tar a Gulbenkian, um edi­fí­cio notá­vel da nossa Arquitectura moderna e, como exem­plo da Arquitectura recente, o Pavilhão de Portugal do Siza e o Museu da Ciência Viva do Carrilho da Graça. Mas Lisboa é isto e tudo o resto, é o fer­vi­lhar da cidade. Uma coisa que me agrada é que Lisboa está a ganhar um lado cla­ra­mente cos­mo­po­lita e tem uma coisa muito boa: um turismo diver­si­fi­cado, de gente inte­res­sante, gente nova e dife­rente, que é uma coisa bonita, um turismo com cul­tura. Gosto da ideia de ter­mos um rio que as pes­soas cha­mam de mar e não um ria­cho. Gosto deste porto que não está trans­for­mado em bares e que tem con­ten­to­res, que tem zonas peri­go­sas. Gosto que ainda não se tenha aberto de uma forma mole e pie­dosa o rio todo à cidade.

 

Nestes sítios, onde e como gos­tava de intervir?

Vou dizer uma coisa um bocado insó­lita. Os sítios não ficam iguais depen­dendo daquilo que nos per­gun­tam. Eu não olho da mesma maneira para um lugar seja para fazer dele uma pequena casa ou um hos­pi­tal. A Arquitectura não tra­ba­lha bem com os luga­res, tra­ba­lha com a pos­si­bi­li­dade de trans­for­ma­ção dos luga­res. Eu diria que os luga­res para mim podem transformar-​​se em extra­or­di­ná­rios, depen­dendo do que se per­gun­tar sobre eles. Destes que lhe disse, gos­tava de inter­vir em todos, para fazer o que me deixassem.

 

O que faria na Baixa, por exemplo?

A Baixa está lá! Agora, pre­cisa de ser diver­si­fi­cada e pre­cisa de tempo. A Baixa está resol­vida por si. Quanto mais se recu­pe­rar e menos se inter­vir melhor. Quanto mais se recu­pe­rar a ideia de espaço público com que ela par­tiu, no Século XVII, melhor ficará. A Baixa pre­cisa de gente! E tem uma grande hipó­tese de ter uma popu­la­ção inte­res­sante a habitar.

 

Qual é a sen­sa­ção de cami­nhar por uma cidade e deparar-​​se com pro­jec­tos da sua autoria?

Mudava tudo e mudava sem­pre. Tenho sem­pre a cer­teza de que podia ter feito melhor. A Arquitectura é um encon­tro muito vio­lento com a rea­li­dade. Eu gosto muito de ir aos luga­res que fiz, mas não é uma coisa que pro­cure. Nos edi­fí­cios confrontamo-​​nos com o que con­se­gui­mos e com o que não con­se­gui­mos. Ao con­trá­rio das outras artes, não con­se­gui­mos evitá-​​los, por­que são gran­des e vão lá ficar por muito tempo.

 

Acha que tem uma lin­gua­gem pró­pria, que exis­tem carac­te­rís­ti­cas que se repe­tem nos seus projectos?

Eu acho que nin­guém tem uma lin­gua­gem pró­pria, no sen­tido em que todos nós per­ten­ce­mos a um único mundo, muito com­plexo, que tem um lado bom e um lado mau. Todos faze­mos parte do mundo, mas temos de per­ce­ber muito bem o que somos nesse mundo. Nesse sen­tido, eu sei que para fazer parte desse mundo tenho cla­ra­mente de me posi­ci­o­nar par­tindo daqui, das minhas pos­si­bi­li­da­des, estando onde estou, ser muito um arqui­tecto local. Partimos para cada pro­jecto com tudo em aberto, um estudo de um pro­jecto é fun­da­men­tal­mente um tra­ba­lho sobre uma per­gunta. Depois, há temas que nos per­cor­rem e que nos unem no nosso tra­ba­lho. Eu diria que há coi­sas que nos são que­ri­das e que nos ten­dem a influ­en­ciar. Acho que os pro­jec­tos par­tem da sua pos­si­bi­li­dade de uso, par­tem dos espa­ços, não par­tem das for­mas. A ideia mais abran­gente é esta: o que nos pre­o­cupa é encon­trar em cada per­gunta espe­ci­fi­ci­da­des que nos per­mi­tam fazer pro­jec­tos muito dife­ren­tes uns dos outros.

 

É difí­cil pro­jec­tar uma casa? Há quem con­si­dere um pro­grama complicado.

Para mim, é o mais agra­dá­vel de todos. Acho que é o pro­grama em que as pes­soas ten­dem a envolver-​​se mais e da forma cor­recta. Os níveis de dis­cus­são ou de apro­xi­ma­ção a esta ideia da vivên­cia tornam-​​se muito pro­fun­dos e tor­nam os pro­gra­mas mais inte­res­san­tes. O pior que pode haver num pro­jecto é a falta de limi­tes. Se me dis­se­rem que é no deserto, não tenho pro­grama nem limi­tes de cus­tos, não há casa! Começo por onde? Nós tra­ba­lha­mos com os limites.

 

Entre inú­me­ros pré­mios, conta com uma nome­a­ção para o Mies van der Rohe. Que impor­tân­cia têm esses pré­mios? São ala­van­cas para mais encomendas?

Talvez… Mas há uma coisa muito mais impor­tante. Os pré­mios res­pon­sa­bi­li­zam e esse lado parece-​​me o mais inte­res­sante. É evi­dente que ser fina­lista do Prémio Mies, que é o seme­lhante aos Ósca­res, tem um lado mediá­tico, de pra­zer pelo reco­nhe­ci­mento, obvi­a­mente. Mas acho que temos de ser prag­má­ti­cos. Para mim, os pré­mios mais impor­tan­tes foram os que ganhei no prin­cí­pio de car­reira, por­que res­pon­sa­bi­li­za­ram muito. Mas é claro que, como pre­ci­sa­mos de cli­en­tes, neces­si­ta­mos desse lado mediático.

 

Acha que a Arquitectura e os arqui­tec­tos apren­de­ram a usar a Comunicação Social como forma de pro­mo­ção pes­soal? E acha que isso pode ser uma “rela­ção peri­go­sa­mente íntima”?

A Arquitectura é uma acti­vi­dade de silên­cio. Pratica-​​se, em grande parte, na soli­dão. Nós tra­ba­lha­mos com equi­pas muito gran­des. No meu caso, tenho sem­pre o meu irmão por perto, todos os arqui­tec­tos com quem cola­boro e os arqui­tec­tos que estão aqui no ate­lier. Mas, mesmo assim, não deixa de ser um acto que se faz reco­lhido e acho que é peri­goso este cír­culo mediá­tico da Arquitectura. É uma coisa que ainda não tem muita expres­são em Portugal, mas é uma ten­dên­cia que não se vai inver­ter. É muito peri­gosa por­que acho que des­trói os arqui­tec­tos, mas não vai mudar…

 

Até por­que é necessária?

Até por­que é assim, por­que a vida hoje tem este medi­a­tismo. Mas não vejo grande inte­resse nisso. É uma coisa de que é difí­cil fugir e que exerce grande pres­são sobre os arqui­tec­tos. Mas tam­bém tem o lado posi­tivo, o de con­ta­mi­nar a Arquitectura para depois se trans­for­mar numa espé­cie de circo. Como se todas as cida­des tives­sem que ter um Calatrava ou uma Zaha Hadid. É um inferno! Nós que­re­mos ver nas cida­des o que é espe­cí­fico de cada cidade. Por outro lado, o grau de res­peito e de exi­gên­cia para com a Arquitectura é muito maior, o que é muito posi­tivo. A pre­sença de gran­des arqui­tec­tos em Lisboa aju­dou a que a Arquitectura se des­blo­que­asse e é evi­dente que nós temos gran­des arqui­tec­tos para expor­tar, como o Siza, que nos aju­dou a abrir por­tas. Mas acho que os arqui­tec­tos têm de resis­tir à soli­ci­ta­ção, um arqui­tecto só pode fazer o volume de tra­ba­lho que con­trola. Há limi­tes que os arqui­tec­tos devem per­ce­ber. Se não resis­ti­rem, podem perder-​​se como criadores.

 

E com que olhos vê as enco­men­das fei­tas às “estre­las” da Arquitectura internacional?

Penso que é neces­sá­rio tê-​​las e que é neces­sá­rio per­ce­ber quais são os limi­tes. É muito raro uma enco­menda a uma grande estrela “acer­tar na mou­che”. Em Portugal, temos uma: a Casa da Música, no Porto. Na minha opi­nião, é pro­va­vel­mente a melhor obra do Rem Koolhaas. É um tiro muito cer­teiro, há um momento de for­tuna, para além do lado de tra­ba­lho de acom­pa­nha­mento do pro­jecto que per­mi­tiu que assim fosse. Mas são tiros muito raros. Os espa­nhóis têm o Guggenheim. De resto, em Madrid, a maior parte das enco­men­das fei­tas a gran­des arqui­tec­tos tem resul­ta­dos desas­tro­sos, não cons­ti­tuem nenhuma mais valia. Isso é o banal. Agora, esta pre­sença dos gran­des arqui­tec­tos é neces­sá­ria, abre por­tas e cami­nhos, fran­queia pos­si­bi­li­da­des e é inte­res­sante. Mas, por outro lado, há o pro­duto este­re­o­ti­pado, que não tem inte­resse nenhum. Se vier­mos a ter um Gehry que é igual a todos os Gehry’s do mundo não tem interesse…

 

Mas, na mai­o­ria dos casos, quando se com­pra um Gehry é por­que se quer um Guggenheim…

Esse é o pro­blema da Arquitectura. É a tal ideia dos arqui­tec­tos que se per­dem quando pas­sam a ter uma ima­gem de marca. Esse é o perigo. Os arqui­tec­tos perdem-​​se e as cida­des não ganham nada com isso. Não há gran­des arqui­tec­tos, há gran­des obras de Arquitectura. Um arqui­tecto muito conhe­cido não é garan­tia de uma grande obra, mas sig­ni­fica a pos­si­bi­li­dade de a ter. Uma vez, por acaso, tive num jan­tar em que estava o Richard Meier e ele dizia: “o meu grande pro­blema é que hoje, quando me enco­men­dam um pro­jecto, ele tem que pare­cer um Meier e por causa disso, perdi toda a liber­dade”. Eu achei aquilo muito inte­res­sante. De facto, aquilo pelo que temos de lutar é por essa liber­dade, essa pos­si­bi­li­dade de errar, pela pos­si­bi­li­dade de inves­ti­gar e pela pos­si­bi­li­dade de sur­pre­en­der. No dia em que seja­mos pre­vi­sí­veis, acho que dei­xa­mos de ter inte­resse. A grande lição do Siza é que ele faz sem­pre ao con­trá­rio do que se está à espera. É isso que o trans­forma em único.

 

Essa medi­a­ti­za­ção foi tam­bém uma ala­vanca para que hoje exis­tam mais de 16 mil arqui­tec­tos em Portugal. Que con­se­lho daria a quem está a come­çar agora?

O con­se­lho que se pode dar a um jovem arqui­tecto é uma cons­ta­ta­ção. Nós apren­de­mos – de forma com­ple­ta­mente errada — que um arqui­tecto é o arquitecto-​​autor. É um erro trá­gico. É tão digno o tra­ba­lho do arquitecto-​​autor como o do arqui­tecto de uma Câmara, Instituto Público, do pro­gra­ma­dor, como o do que ensina, que inves­tiga, que fis­ca­liza, que se liga à História. A Universidade gera uma ambi­ção do arquitecto-​​autor e isso é dra­má­tico. A grande lição que se tem de intro­du­zir hoje é que não há, no campo da Arquitectura, saí­das de pri­meira e de segunda. A saída é tão boa quanto a qua­li­dade que se tiver, seja para fazer o que for.

 

Se não fosse arqui­tecto o que seria?

Quando era miúdo que­ria ser juiz! Mas tam­bém muito cedo pen­sei em ser arqui­tecto. Na ver­dade, eu vivo esta pro­fis­são com muita inten­si­dade, sem­pre com uma rela­ção amor/​ódio, não tenho nada uma pai­xão por isto. Não sei se era capaz de ser outra coisa. Não uma pro­fis­são que metesse fazer coi­sas com as mãos. Tenho uma falta de jeito enorme, sou um desas­tre com as mãos. E já sobre­vivi a fazer maque­tes! Se tivesse con­ti­nu­ado, vive­ria bas­tante mal.

 

O que acha que ainda lhe falta fazer?

Tudo. Tenho sem­pre a sen­sa­ção que estou no prin­cí­pio de tudo e espero man­ter essa sen­sa­ção, por­que no dia em que me levar a sério, estou morto. Eu vivo sem­pre em pânico com os pro­jec­tos todos, que não vou con­se­guir, que não está a sair, que está pés­simo. E acho que isso é pesado, por­que me faz dor­mir mal, mas é saudável.

 

Tem um sonho, enquanto arqui­tecto, de um pro­grama que gos­tasse muito de fazer?

Existe um pro­grama que me fas­cina. Gostava imenso de fazer um aero­porto. Provavelmente nunca me tocará…

 

 

Texto de Ana Rita Sevilha

Fotografia de Francisco de Almeida

 

Encontrada no Baú: Mariana Duarte Silva

De Londres com amor, o pos­tal ilus­trado do regresso de uma lis­bo­eta ao encon­tro de uma capi­tal cos­mo­po­lita tem o selo da Louis Vuitton 2010 City Guides. Madame, senhora do seu nariz, segue as mar­cas da Luz-​​boa da cidade e deixa-​​se guiar por manhãs de ócio em busca de peque­nos tesou­ros, da Feira da Ladra à Vida Portuguesa, Casa Pereira e Luvaria Ulisses. Mas é quando o Sol se põe que, por detrás das coli­nas, bri­lham os seus luga­res de elei­ção. E embala ora em noi­tes de sos­sego de um sofá par­ti­lhado com dois dedos de con­versa, no Pavilhão Chinês, ora na adre­na­lina cool da pista de dança do Lux.(Novembro 2009)

 Já estão à venda os Louis Vuitton 2010 City Guides. Uma 11ª edi­ção da res­trita lista de cida­des do mundo, onde Lisboa volta a entrar, na colec­ção de 31 des­ti­nos euro­peus. Convidada a des­ven­dar o melhor da cidade, segui­mos Mariana Duarte Silva, de regresso a Portugal, depois dos pas­sos lar­gos dados em Londres como “ama” do talento musi­cal português.

Na capi­tal bri­tâ­nica, rendeu-​​se ao ambi­ente único dos par­ques e mer­ca­dos de rua. Ficou-​​lhe o vício, capaz de a fazer subir até à feira da Ladra, do som dis­tor­cido dos vinis a rodar no prato do gira-​​discos, ou ao Príncipe Real, ofus­cante pelo bri­lho de um Pavilhão Chinês onde lhe ape­tece perder-​​se pela noite den­tro. Guiada pelas coor­de­na­das da Lisboa que o City Guide da Louis Vuitton entrega nas mãos dos aman­tes dos mais bem guar­da­dos segre­dos da cidade, encon­tra na Vida Portuguesa – iro­nia das iro­nias para uma lon­drina (per)feita – o pra­zer de um pre­sente deli­cado. “O cui­dado do design das emba­la­gens, o cheiro de cada pro­duto, o toque, tudo é dife­rente. Foi uma ideia genial criar esta loja”, comenta quando a des­co­bre entre uma selec­ção de luga­res que lhe soam ao bom gosto de algo familiar.

O amor é um lugar estra­nho. Mariana Duarte Silva, 30 anos, pro­mo­tora musi­cal e ges­tora de talen­tos por­tu­gue­ses em Londres, encontrou-​​o algu­res entre a cla­ri­dade de Lisboa e a cul­tura sub­ter­râ­nea do bairro lon­drino de Shoreditch.

De hori­zon­tes lar­gos, curi­o­si­dade agu­çada e von­tade de mais, maior e melhor do que era o mer­cado da sonic bran­ding em Portugal, arru­mou no Currículo uma mão cheia de sóli­dos pro­jec­tos de comu­ni­ca­ção e mar­ke­ting e par­tiu, deter­mi­nada a agar­rar o punhado de opor­tu­ni­da­des como só os movi­dos pela pai­xão são capa­zes. O amor vin­gou. No palco da music mana­ge­ment fez-​​se Madame, enquanto ouvia a can­tora Rosa Passos assenhorar-​​se dos ver­sos de «Pra quê dis­cu­tir com Madame», samba de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida. Era escu­sado dis­cu­tir: estava cri­ado o car­tão de visita per­feito para a madri­nha de uma nova gera­ção de artis­tas nacionais.

Corre pelo gosto de ouvir o beat de san­gue na guerla a tocar nos arma­zéns mais in da capi­tal bri­tâ­nica. Rui da Silva, Stereo Addiction ou a dupla femi­nina de DJs Heartbreakerz são a prova de que é mais que pos­sí­vel. Incansável quando acre­dita no good vibe de alguém, desdobra-​​se em con­tac­tos e reu­niões para con­se­guir meio metro qua­drado de aten­ção, no melhor dos espa­ços da noite lon­drina. Conhece a indús­tria, sabe que não desi­lude. Impecável, qual Madame, de bom nome, que se preze, faz da forma um dos con­teú­dos com que se lança na pro­mo­ção dos “seus”, tão seus, artis­tas, ávi­dos de uma nesga de visi­bi­li­dade, debaixo das luzes psi­ca­dé­li­cas dos clubs.

Sabia-​​lhe a pouco, sem­pre que admi­tia como gos­tava de poder inves­tir em quem acre­dita. Diz-​​lhe o à von­tade com que se move no meio de even­tos, em Londres e em Lisboa, que é música que bas­tava ser escu­tada uma vez, pelos ouvi­dos cer­tos, para dar que falar.

Fala, pela voz de Madame, das ideias fixas que lhe povoam a alma e o cora­ção. Entre voos direc­tos, pelo amor que a prende a Lisboa e a pai­xão que fica nos escri­tó­rios do Village Underground – cen­tro de cul­tura e arte subur­bana, onde tra­ba­lhava, den­tro de uma antiga car­ru­a­gem do Metro, ins­ta­lada no topo de um pré­dio – entre as idas ao Lux, “o único que pro­move DJs de qua­li­dade” e que Madame garante estar “em ter­mos de pro­gra­ma­ção musi­cal, a par de tudo o que de melhor se passa lá fora” e os encon­tros de por­tu­gue­ses em Inglaterra, abre o Baile, a que chama pla­ta­forma de talen­tos, uma noite regu­lar que chega a 21 de Novembro ao The Loft, em Lisboa.

Encontra-​​se em casa, nes­tes espa­ços trendy de uma capi­tal a que regressa, “ofi­ci­al­mente” para casar, trans­for­mando uma Londres “fria e cara” à pri­meira vista numa longa lista de sau­da­des: “de cada dia ser dife­rente, dos con­cer­tos ines­pe­ra­dos, das fes­tas espon­tâ­neas na cave, arma­zéns e par­ques de esta­ci­o­na­mento, das pes­soas da rua, de Shoreditch e do street art, do bus, de andar na rua de headpho­nes, de que­rer ouvir um artista ao vivo e de isso poder acon­te­cer no mesmo dia, do talento musi­cal que cai das árvo­res, todos os dias”. Cai na real, a sonhar com o futuro: “em 2010, quero que o Baile se afirme como a melhor pla­ta­forma de pro­mo­ção e mos­tra de novos talen­tos simul­ta­ne­a­mente em Londres e Lisboa, desen­vol­ver mar­cas por­tu­gue­sas com a Citizensound (agên­cia com a qual tra­ba­lha) e encon­trar o espaço ideal para ins­ta­lar o Village Underground em Portugal”. É uma Madame madura, menos “mad” [do Inglês, hipe­rac­tiva e fre­né­tica] e mais “ame”, do amor que dela fez Senhora [Madame] da sonic bran­ding em Português.

 

Texto de Sofia de Santiago

Fotografia de Mário Príncipe

Produção Joyce Doret

 

 

Encontrado o baú: André Cepeda

Escrever que André Cepeda é um fotó­grafo é a par­tida limi­ta­tivo, já que os seus inte­res­ses vagueiam como as suas ima­gens pelo jazz e pelo vin­tage sem nunca encon­trar um porto seguro. (Março de 2009)

 

As tuas foto­gra­fias pare­cem não se pren­de­rem a temas, pare­cem che­gar de várias pro­ve­ni­ên­cias. Como te surge essa dis­po­si­ção para foto­gra­far e em que momento?

Fotografar faz parte do meu dia a dia e parte da minha vida. É natu­ral que se sinta nas ima­gens coi­sas muito dife­ren­tes. Tem a ver com a minha pró­pria evo­lu­ção. Mas não é algo que eu con­trole. Enquadras-​​te em algum género foto­grá­fico ou pelo menos sen­tes per­ten­cer a uma certa tra­di­ção foto­grá­fica? Como con­vi­ves com os géne­ros? Nunca tinha pen­sado nas coi­sas assim. Aquilo que de facto pro­curo é ten­tar encon­trar novas for­mas de olhar para a rea­li­dade que me é apre­sen­tada, ten­tar evo­luir, cons­truir a minha pró­pria lin­gua­gem. As minhas influên­cias não vêm só da foto­gra­fia, mas da música, da lite­ra­tura, do cinema, culinária, …

 

Mas não tens um fotó­grafo de referência?

Robert Frank, é o fotó­grafo que me acom­pa­nha desde sempre.

 

O que te faz pen­sar ter con­se­guido um con­junto inte­res­sante de foto­gra­fias e expor? Como se faz o pro­cesso de selecção?

Quando começo um pro­jecto nunca sei quando ele vai aca­bar. Pode demo­rar um ano ou mais. Naturalmente vai haver um dia em que diga — acho que já chega! E isso acon­tece mui­tas vezes quando estou a selec­ci­o­nar ou a impri­mir o tra­ba­lho. O pro­cesso de selec­ção é muito inte­res­sante e dos mais difí­ceis para mim. Vejo as coi­sas como na mon­ta­gem de um filme, mas de uma forma mais abs­tracta. Para mim cos­tuma ser um pro­cesso demo­rado e é quando vejo de facto o que estive a fazer e a per­ce­ber o que as ima­gens repre­sen­tam para mim.

As tuas foto­gra­fias têm sem­pre um certo lirismo e uma certa melan­co­lia. É uma rea­li­dade de que te das conta? Consegues dar uma explicação?

Sad is good.

Fotografar é sem­pre um exer­cí­cio estimulante?

Como foto­gra­far faz parte da minha vida há mui­tos anos, tornou-​​se uma neces­si­dade, ou até mais do que isso. É a minha pro­fis­são e ao qual me dedico todos os dias. A pri­meira coisa que faço quando acordo é ver a luz que está da janela.

Como te sen­tes ao pas­sar para a frente da câmara, neste caso, da câmara da Ana Pereira?

Um retrato é tam­bém um auto-​​retrato.

www​.andre​ce​peda​.com

 

Encontrados no Baú: The Correspondents

The Correspondents é um duo swing-​​hop bri­tâ­nico, for­mado pelo MC Mr. Bruce e o DJ/​Produtor Mr. Chuckles , que explora um novo con­ceito sonoro. Hip hop para os anos 30, orques­tras Jazz apon­ta­das para o futuro, num misto de música de caba­ret com rou­pa­gem de gen­tle­man, Swing, synths e muito sapa­te­ado. (Parq 21 Junho/​Julho 2010)

 

1. A vossa música desa­fia géne­ros e perío­dos de tempo. Como des­cre­vem o vosso som?

 Mr Chuckles: Essa é trai­ço­eira. Basicamente, é uma mis­tura das nos­sas influên­cias: Jazz, Swing, Hip Hop, Drum & Bass e um pouco de tudo o resto!

Mr Bruce: Passados dois anos e meio, ainda não che­gá­mos a uma defi­ni­ção polida! Eu cos­tumo chamá-​​lo Swing con­tem­po­râ­neo. Electro Swing é um termo que tem sido bas­tante usado.

 

2. Onde vão bus­car a ins­pi­ra­ção bur­lesca de palha­ços, Swing e sapateado?

Mr C: (risos) Isso, acho que vais ter de per­gun­tar ao Mr. Bruce!

 Mr B: Bem, eu tento can­tar sobre um estilo de vida de caba­ret, meio doido e ele­gante, que aspiro, mas mui­tas vezes não con­sigo levar. Neste momento, o meu objec­tivo é escre­ver uma can­ção mais pes­soal – uma can­ção que apele mais ao coração.

 

 3. Apontam algu­mas influên­cias, desde Ella Fitzgerald a Fatboy Slim, Billie Holiday a Nightmares on Wax. Esta com­bi­na­ção impro­vá­vel foi cons­ci­ente ou sur­giu naturalmente?

 

Mr C: Eu come­cei a pro­du­zir Jazzy Hip Hop há cerca de qua­tro ou cinco anos, e desde então que come­cei a ace­le­rar um pouco a batida. Agora, acho que o Swing é um género per­feito para ir reti­rando ele­men­tos, por­que é tão ima­cu­lado e tem tanta coisa boa para explorar.

Mr B: Acho que para ambos sur­giu muito natu­ral­mente. Eu cresci numa dieta sau­dá­vel de Drum & Bass, mas desen­volvi uma pai­xão pelo Swing e penso que a minha incli­na­ção por aquela ele­gân­cia de alta cos­tura que repre­sen­tava sur­giu daí. Mas foi só quando ouvi a pro­du­ção de Mr. Chuckles que per­cebi que isto podia real­mente funcionar.

 

4. A vossa ener­gia parece ser alta­mente con­ta­gi­ante. Como expli­cam o fre­ne­sim que pro­vo­cam nos con­cer­tos ao vivo?

Mr. B: Eu ape­nas fico super exci­tado e este estado de exal­ta­ção, como dizes, pode ser con­ta­gi­ante. Dançar até ficar suado é uma sen­sa­ção incrí­vel. Penso que a mai­o­ria das pes­soas tem von­tade de o fazer, só pre­cisa de um cata­li­sa­dor adequado.

 

5. Depois do EP The Rogue em 2008, quais são os vos­sos pla­nos para o futuro?

Mr. C: Temos um álbum em curso. Esperamos que lá para o final do ano esteja con­cluído. De momento, esta­mos só a escre­ver e a ten­tar defi­nir que direc­ções que­re­mos seguir e como evi­tar usar dema­si­a­dos samples.

Mr. B: Eu vou estar ocu­pado a cons­truir enge­nhos de palco, como uma pla­ta­forma ele­va­tó­ria para dan­çar e coi­sas do género. Poderia até come­çar a dese­nhar uma nova linha de meias de padrões…

 

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por. Pedro Lima  (www​.ste​re​o​be​at​box​.com)